PSIQUIATRIA
E PSICANÁLISE
À
primeira vista pode suscitar estranheza que a Psiquiatria ao invés da Teoria
Psicanalítica seja apontada em primeiro lugar, principalmente quando o presente
artigo e desenvolvido por um Psicanalista. Tal priorização não se dá por presunção
dessa ciência médica, toda via, é nessa especialidade médica que está situado
todas as demais ciências do psiquismo e do comportamento humano, bem como,
estabelece seus parâmetros e limites.
Deve-se,
também, ter em consideração as patologias mais pertinentes ao psiquismo que compreendem
a universalidade do que é psicogênico:
“As doenças Psicogênicas, conhecidas
anteriormente como doenças “histéricas”, podem ter muitos sintomas severos tais
como grampos ou a paralisia dolorosa mas sem nenhuma explicação física.
Contudo, a pesquisa nova da Universidade de Cambridge e de UCL (University
College Londres) sugere que os indivíduos com doença psicogênica, que é dizer a
doença física que hastes dos esforços emocionais ou mentais, tenham os cérebros
que funcionam diferentemente.”
Podemos
dizer de maneira mais sintética que a enfermidade psicogênica está relacionada
às lesões que de alguma forma alteraram a estrutura da psique, sendo a lesão,
funcional, degenerativa ou abrasiva.
Vejamos
as diferenças:
·
Na estrutura encontramos todas as psicoses,
transtornos, oligofrenias, surtos, etc. Nessa perspectiva todas as patogenias
estruturais encontram uma lesão que as define e determina. Obs. O termo lesão aqui
adotado não representa qualquer tipo de trauma na anatomia física Apontamos
também, aqui as neuropatias, em que o sistema nervoso, nas áreas central e
periféricas, também apresenta lesão, saturação ou stress.
·
A teoria estrutural, no entanto, transita
conceitualmente quando nos referimos às neuropatias, pois conceituamos
estrutura com base no que é físico, logo, orgânico não nos atendo ao psiquismo
que figura em todo o processo estrutural/psicogênico.
·
Não-estrutural varia, no entanto, quando nos
referimos às psicopatias em que não são encontradas lesões nem na esfera
funcional, degenerativa ou abrasiva. Tendo essa premissa em vista, toda e qualquer
neurose não consiste ser estrutural fazendo parte do universo assimilável, ou
seja: experiências, vivências, traumas, recalques, principalmente quando
relacionados com a “libido” (gratificação e obtenção do prazer), ou fixação
problemática.
·
Portanto, a Psicanálise se ocupa de desordens
psíquicas na esfera não estrutural, enquanto a Psiquiatria atenta para o
tratamento das psicopatologias estruturais/psicogênicas.
·
Já a Neurologia atenta para as patologias
estruturais/ neurológicas.
Epidemiologia: “As
doenças mentais e neurológicas atingem aproximadamente 700 milhões de pessoas
no mundo, representando um terço do total de casos de doenças não
transmissíveis, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os especialistas
advertem que pelo menos um terço dos que sofrem com problemas mentais e
neurológicos não tem acompanhamento médico. A revelação está no Plano de Ação
para a Saúde Mental 2013-2020”. (Agência Brasil de Comunicação, Brasília – DF 2013).
Numa
outra abordagem, é da perspectiva da psiquiatria que visualizamos a
independência da psicanálise como ciência autônoma nos estudos e intervenções
do psiquismo humano e onde também, se faz a delimitação das áreas de competência
técnico e científica entre ambas. Neste tocante é fundamentalmente necessário
que se explicite de forma bem clara e inteligível que a Psicanálise não
consiste ser uma subespecialidade da Psiquiatria e também, não é especialidade
médica. São, sim ciências autônomas afins, porém completamente definidas e
atentando para o cuidado de partes específicas do psiquismo que não se
confundem.
Essencialmente,
os objetivos e perspectivas são diferentes. Vamos ver:
·
Os distúrbios mentais podem ser subdivididos
em duas categorias fundamentais: estruturais e não estruturais.
·
Os estruturais, observamos que esses são
subdivididos em psicogênicos e neurológicos (embora o conceito seja ainda
diferente do último caso, pois compete ser área da neurologia, ex.: doenças de
origem neurológica que afetam a mente, como a demência do tipo Alzheimer a
título de exemplificação)
·
Os psicogênicos competem à Psiquiatria.
·
Os neurológicos competem à Neurologia.
·
Os não estruturais e não psicogênicos
competem à psicanálise.
Marco
Aurélio Barbosa
Psicanalista
Clínico, Professor e Filósofo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SILVA, Heitor Antônio. Psiquiatria
aplicada à psicanálise. 4° ed. Ver. e ampl. – Niterói, RJ: SPOB, 2001.
http://www.news-medical.net/news/20130225/9846/Portuguese.aspx
em 19/04/2016
http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-05-20/oms-doencas-mentais-e-neurologicas-atingem-cerca-de-700-milhoes-de-pessoas-alerta-oms
em 19/04/2016
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