quarta-feira, 18 de julho de 2012

Conheça as diferenças entre psicólogo, psicanalista e psiquiatra


Conheça as diferenças entre psicólogo, psicanalista e psiquiatra

O que é?

Psicologia

É o estudo científico do pensamento e comportamento. Os psicólogos analisam as relações que os seres humanos têm com o mundo – com a percepção, a motivação, a emoção e o aprendizado – e com si próprios (personalidade).

Psicanálise

É um método de observação, investigação e conhecimento do conjunto de processos psíquicos do ser humano. O psicanalista segue a escola de análise da mente fundada pelo médico austríaco Sigmund Freud, pai da psicanálise.

Psiquiatria

É uma especialidade da medicina. O psiquiatra é habilitado para diagnosticar e tratar transtornos mentais, doenças que alteram o comportamento da pessoa e o funcionamento do organismo.

Áreas de Atuação

Psicologia

Os psicólogos não trabalham necessariamente com a presença de patologias. Podem atuar em hospitais, escolas, na orientação profissional e na área de recursos humanos das empresas, em atividades esportivas, forenses e ambientais, entre outras.

Psicanálise

Saúde mental e distúrbios emocionais estão na pauta, assim como aspectos relacionados à qualidade de vida, autoconhecimento e ampliação de perspectivas. A psicanálise pode ajudar a relação que a pessoa tem com ela própria e com o mundo.

Psiquiatria

Além da atuação clínica convencional, o psiquiatra pode se especializar em psiquiatria da infância, da adolescência, geriátrica, forense, em psicanálise e em psicoterapia.
Formação

Psicologia

O curso de psicologia tem duração total de cinco anos. Depois de formados, os psicólogos devem se credenciar no Conselho Federal de Psicologia para poder exercer a profissão.

Psicanálise

Depois de formado em algum curso superior, o futuro psicanalista entra para a escola de psicanálise, por cinco ou seis anos. Psicólogos e psiquiatras estão entre os mais interessados nessa área.

Psiquiatria

Para ser psiquiatra é preciso cursas a faculdade de medicina (seis anos) e fazer uma especialização em psiquiatria, que dura três anos.

Quando procurar

Psicologia

Diante de sintomas depressivos, ansiedade ou se a pessoa perceber que suas atitudes atrapalham seu desenvolvimento. Indíviduos que possuem algum transtorno específico ou valorizam o autoconhecimento também podem recorrer a um psicólogo.

Psicanálise

A psicanálise atua profundamente nos conflitos íntimos. Pode abordar angústias relacionadas à qualidade de vida, distúrbios emocionais e autoconhecimento. Além disso, o psicanalista trata psicopatologias, transtornos de personalidade, depressão, etc.

Psiquiatria

O psiquiatra trata transtornos de depressão e ansiedade, dependência química, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Transtorno Bipolar do Humor, transtornos alimentares, esquizofrenia, demência, etc.



Fonte: http://veja.abril.com.br/

terça-feira, 13 de março de 2012


Saúde Emocional de Professores da Educação Infantil: Fadiga e Síndrome de Burnout


ResumoA Síndrome de Burnout  é considerada como um dos principais indicadores de bem-estar subjetivo, sendo avaliada como uma medida geral ou como referência a áreas importantes da vida, a exemplo do trabalho e da família. Este estudo discute a compreensão dessa síndrome e sua possível associação com a Fadiga em professores da educação infantil.  Para a coleta de dados utilizou-se o Inventário de Burnout de Maslash, uma escala de 7 pontos, variando de 0 (nunca) a 6 (todo dia), e a Escala de Avaliação da Fadiga um instrumento auto-aplicável  com 10 itens, cujas respostas são avaliadas em escala de cinco pontos, variando de 1 (Nunca) 5 (Sempre) e, uma entrevista semi–estruturada contendo informações sóciodemográficas. Concluímos haver  indícios de Síndrome de Burnout e Fadiga na amostra estudada, entretanto recomendam-se novos estudos em que possam utilizar um universo maior de sujeitos, inclusive com um maior número de escolas. Acreditamos que estudos futuros que utilizem o argumento em favor da idéia de que, as relações sociais podem, de várias formas, promover melhores condições de saúde, podem nos esclarecer mais sobre a temática da Síndrome de Burnout. 
Palavras–chave: Síndrome de burnout, Fadiga, Educação infantil

Introdução

O presente trabalho é um estudo no âmbito da Síndrome de Burnout. Este construto é importante para a qualidade de vida e o bem-estar do ser humano nas diversas esferas da sociedade inclusive nas esferas educativa, social e principalmente humana.
É de grande valia social e educacionalmente levar a diante mais estudos sobre esta temática, para que se forme uma base teórica consistente, de forma a propiciar um maior entendimento de aspectos possam ajudar na promoção de uma vida acadêmica mais saudável e com melhores resultados. O objetivo do presente estudo foi apresentar resultados que possam corroborar na compreensão desse construto (síndrome de burnout), não havendo pretensão conclusiva. Este artigo, pois, pretende contribuir disponibilizando informações, principalmente, sobre a Síndrome de Burnout  entre professores da educação infantil.

Síndrome de Burnout

Atualmente, com a entrada das novas tecnologias de comunicação no mercado, do acesso rápido e fácil a informações e da exposição constante das pessoas nas redes sociais, o professor passa a ser desafiado em seu papel como educador, pois tem que lidar com uma avalanche de situações novas a cada momento. Seja com uma mídia que o exige constantemente como responsável pelo comportamento dos jovens, seja pela necessidade de se capacitar profissionalmente para atender a uma demanda por dominar as novas tecnologias disponíveis.
A Síndrome de Burnout é um tipo de estresse ocupacional que acomete profissionais que trabalham com qualquer tipo de “cuidado”, havendo uma relação de atenção direta, contínua e altamente emocional com outras pessoas. Maslach e Jackson (1981) conceituam Burnout como uma síndrome de exaustão emocional que ocorre frequentemente com indivíduos que lidam com pessoas em seu trabalho ou surge como resposta ao estresse ocupacional crônico, relacionando-se a atitudes negativas e de indiferença para com os clientes e para com a própria atuação profissional.
Analisando conceitos e características da Síndrome de Burnout, Borges et al. (2002), sugerem tratar-se de uma síndrome multidimensional, em que a exaustão emocional refere-se a sentimentos de fadiga e redução dos recursos emocionais necessários para lidar com a situação estressora. A despersonalização refere-se a atitudes negativas, ceticismo, insensibilidade e despreocupação com respeito a outras pessoas, e a baixa realização pessoal no trabalho refere-se à percepção de deterioração da autocompetência e falta de satisfação com as realizações pessoais no trabalho. Assim, o Burnout consiste na “síndrome da desistência”, pois o indivíduo nessa situação deixa de investir em seu trabalho e nas relações afetivas que dele decorrem e, aparentemente, torna-se incapaz de se envolver com ele (CODO; VASQUES-MENEZES, 2000).
Codo (1999) afirma não existir uma definição única sobre a síndrome, embora haja consenso entre os estudos desenvolvidos de que seria uma resposta ao estresse laboral crônico, em que o professor envolvido direta e afetivamente com seus alunos sofreria desgaste profundo, não conseguindo romper com a pressão da patologia que o atinge.
A ocorrência de burnout em professores é considerada atualmente um problema social de extrema relevância e vem sendo estudada em vários países. Burnout vincula-se a grandes custos organizacionais, por causa da rotatividade de pessoal, do absenteísmo, de problemas de produtividade e qualidade de serviço prestado (CARLOTTO, 2004). Estudos realizados levaram ao consenso de que ensinar é uma ocupação altamente desgastante, com repercussões evidentes na saúde física e mental e no desempenho dos professores (SILVANY NETO et al., 2000). Porém, no Brasil, apenas a partir da década de 1990 é que se intensificou o número de estudos abordando condições de saúde e trabalho nessa categoria profissional, especialmente em escolas públicas.
Ao relacionar as atividades dos profissionais da educação com a Síndrome de Burnout, Carlotto (2002) afirma que o professor pode ter prejudicado seu planejamento de aula, deixando de realizá-lo com frequência e tornando-o de menor qualidade. O professor apresentaria ainda perda de entusiasmo e criatividade, sentindo menos simpatia pelos alunos e menos otimismo quanto à avaliação de seu futuro.
Para Wood e McCarthy (2002), recentes estudos apontam que professores com risco para o burnout passam a ver seu trabalho inconsistente e sem sentido, conflitando com o que tinham estabelecido como importante papel no início de sua carreira.
Em função dos baixos rendimentos, os professores se obrigam a ter uma carga horária laboral mais elevada. Consequentemente, resta pouco tempo para se aperfeiçoarem ou se atualizarem. Além disso, alunos, pais e a sociedade em geral tornam-se mais exigentes, ao mesmo tempo em que se nota a falta de professores qualificados no mercado. Os que se encontram na função são penalizados com sobrecarga de atividades. Sabe-se que as tarefas de um professor não se restringem ao período em que está em sala de aula, pois há a necessidade de preparar aulas, provas, corrigir e orientar a produção do aluno e participar de reuniões, entre outras atividades burocráticas inerentes à instituição de trabalho (GARCIA; BENEVIDES-PEREIRA, 2003).
Nesse contexto, o presente estudo tem o intuito de estimar a prevalência da Síndrome de Burnout e a incidência da Fadiga em professores da Educação Infantil  em Escolas Públicas do Centro de Barbalha, Estado do Ceará.

Fadiga

A Síndrome da Fadiga Crônica é uma doença caracterizada pela presença de fadiga inexplicável, de duração maior que seis meses, que envolve sintomas como cefaléia, dores pelo corpo, dor nas articulações, problemas com a memória e distúrbio do sono, causando incapacidade física ao paciente. A fadiga crônica é uma condição muito comum na população geral (LEVY et al., 1998).
Estudos mostram que a queixa de fadiga como sintoma está presente em 21 a 38% das pessoas ocidentais. Já a prevalência da Síndrome da Fadiga Crônica, baseada nos critérios diagnósticos do CDC - Center for Disease Control, Atlanta - EUA, está em torno de 0,5% da população em geral. Tais critérios foram estabelecidos em 1988 e revisados em 1994. Não é incomum a doença surgir em períodos em que estão presentes desordens afetivas, como ansiedade e depressão. Mais de 30% dos pacientes fadigados apresentam problemas apenas na esfera psicológica. Por outro lado, a depressão pode acompanhar a síndrome da fadiga crônica desde o seu inicio ou se manifestar em decorrência desta ( GOLDSTEIN, 1993).
Fadiga é uma experiência universal que geralmente desaparece após uma boa noite de repouso, em muitos casos, esta sensação de desconforto pode persistir tornando-se crônica (PIPER, 1986).
No caso de indivíduos com doenças crônicas, a fadiga se apresenta de maneira diferente da fadiga diária, este tipo apresenta-se como um sintoma complexo provocado por condições físicas e psicológicas preexistentes. De maneira geral, inclusive nas doenças crônicas, a fadiga é um sintoma comumente angustiante (RHODES et al.,1988).
A partir da década de 20 as tentativas de conceituar fadiga reportam dificuldades de aferição e interpretação por se tratar de um fenômeno bastante complexo (MARZIALE,1990).
Potempa (1993) relata que fadiga é uma queixa comum relacionada com eventos específicos como pouco sono ou falta de exercícios, nesses casos a fadiga é  facilmente remediável. Entretanto, sua persistência interfere no cotidiano do indivíduo, tornando-o debilitado. Essa condição é frequentemente referida como fadiga crônica.
Ryan (1994) define a fadiga como um estado geral do indivíduo, resultante da atividade contínua de trabalho.
De acordo com Cameron  (1973), fadiga é uma resposta generalizada ao estresse com efeitos agudos ou crônicos. O autor evidencia a  importância da ansiedade e  dos distúrbios do sono como diretamente relacionados ao aparecimento da fadiga.
Segundo Lino (1978), a fadiga é  uma alteração reversível da coordenação das funções biológicas, físicas e psíquicas. Uma vez  retiradas as causas que a provocam, o  organismo se põe em situação normal. Em caso de persistência, a fadiga, pode tornar-se patológica.
Os sinônimos de fadiga segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira: cansaço, canseira, fadigamento e diminuição gradual da resistência de um material por efeito de solicitações repetidas (Ferreira, 1999).
A fadiga, pode ainda ser definida como uma sensação subjetiva de exaustão influenciada pelo ritmo circadiano, podendo variar quanto a sua duração, frequência e grau (PIPER, 1986).
Assim como existem vários conceitos em torno da fadiga, existem também vários sistemas de classificação, mas muitos deles são de pouca validade para a psicologia. Porém, o conceito de fadiga crônica e aguda, que caracteriza o sintoma de acordo com sua duração, é de alguma valia. Segundo Piper (1986), na forma aguda, a fadiga é um mecanismo protetor, mas quando se torna excessiva ou constante (crônica) deixa de ser um mecanismo protetor e pode levar a uma fuga de atividade.
Os indicadores da fadiga, citados na literatura, podem ser objetivos como os fisiológicos, bioquímicos e comportamentais, e subjetivos que são indicadores percebidos como sentimentos e sensações específicas de cansaço (SKALLA e LACASSE, 1992; YOSHITAKE, 1978; YOSHITAKE, 1992).
Diante do exposto, a Escala de Avaliação da Fadiga certamente trará contribuições, no sentido de se verificar uma possível associação desta com a Síndrome de Burnout em professores do Ensino Fundamental, no Município de Barbalha.
Analisaremos os dados a partir da classificação de fadiga aguda ou crônica e seus indicadores subjetivos, à partir do instrumento proposto por Michielsen et al. (2004) e validado no Brasil por Oliveira (2008).

Método

O presente estudo foi realizado no Município de Barbalha, localizado na região metropolitana do Cariri, no sul do Ceará, com uma área 479, 184km2 e uma população de 53.011habitantes (IBGE, 2009).
Fizeram parte da amostra,  38 professores de seis escolas de Educação Infantil localizadas no Centro do Município de Barbalha, com idades variando entre 22 e 48 anos (média 33,63 ± 8,19), a maioria do sexo feminino (89%), sendo 53,1% casados ou conviventes; 34% solteiros, 2,6% viúvos e  10,3% estavam separados à época da pesquisa. A coleta de dados foi realizada no período de agosto a dezembro de 2011. A amostra foi de conveniência, uma vez que contou apenas com a participação daqueles que dispuseram-se a responder.
Observou-se adicionalmente sobre a escolaridade dos participantes, onde se verificou que alguns dos sujeitos ainda não concluiu o ensino médio (6,2%) . 18,4%  com o ensino médio completo; 34,2%  com o ensino superior incompleto e 42,1% já concluiu os estudos superiores.
Os participantes se distribuíram da seguinte forma quanto as escolas que foram objeto do presente estudo: Colégio de Educação Infantil Maria das Graças F. Correia (29,0%); Escola de Educação Infantil Alfredo Correia de Oliveira (7,9%); Colégio Educação Infantil Martinho Tavares Teles (7,9); Escola de Educação Infantil Maria das Dores Sampaio (13,2%); Creche Maravilha (5,2%); e, Colégio de Educação Infantil Murilo de Sá Barreto (36,8%).
Instrumentos e Procedimentos:  Os participantes responderam a um questionário contendo dois blocos de perguntas que procuravam conhecer os seguintes aspectos:
1 - Inventário de Burnout de Maslash O instrumento mais utilizado para avaliar burnout, independentemente das características ocupacionais da amostra e de sua origem, segundo Gil-Monte e Peiró (1999), é o MBI - Maslach Burnout Inventory, elaborado por Christina Maslach e Susan Jackson em 1978. Sua construção partiu de duas dimensões, exaustão emocional e despersonalização, sendo que a terceira dimensão, realização profissional, surgiu após estudo desenvolvido com centenas de pessoas de uma ampla gama de profissionais (MASLACH, 1993).
Inicialmente, o inventário possuía 47 itens que foram administrados em uma amostra de 605 sujeitos de várias ocupações profissionais. Dez fatores emergiram e, por meio de uma avaliação criteriosa, foram eliminados seis deles, juntamente com 24 itens que não possuíam peso fatorial superior a 0,40. Após aplicação em uma nova amostra de 420 sujeitos com perfil igual ao anterior, os mesmos quatro fatores emergiram, sendo que somente três destes apresentaram significância empírica (MASLACH & JACKSON, 1981; CORDES & DOUGHERTY, 1993; MORENO, BUSTOS, MATALLANA & MIRRALES, 1997). A consistência interna das três dimensões do inventário é satisfatória, pois apresenta um alfa de Cronbach que vai desde 0,71 até 0,90 e os coeficientes de teste e reteste vão de 0,60 a 0,80 em períodos de até um mês (Maslach & Jackson, 1981).
O MBI avalia como o trabalhador vivencia seu trabalho, de acordo com três dimensões conceituais: exaustão emocional, realização profissional e despersonalização. Em sua primeira versão, o inventário avaliava a intensidade e a freqüência das respostas com uma escala de pontuação do tipo Likert, variando de 0 a 6 (MASLACH & JACKSON, 1981;  MASLACH & LEITER, 1997). A segunda edição do MBI, realizada em 1986, passou a utilizar somente a avaliação da freqüência, pois foi detectada a existência de alta associação entre as duas escalas, sendo que muitos estudos apontaram correlação superior a 0,80 (MASLACH & JACKSON, 1986; MASLACH, 1993; MORENO e cols.,1997). 
Nesse estudo, o MBI (Maslach _Burnout Inventory), é direcionado aos professores, para mensurar a frequência com que indivíduo experimenta sentimentos típicos do burnout. Consta de 16 itens, sendo  5 de Exaustão emocional (EE); 5 de Despersonalização e 6 de Envolvimento Pessoal no Trabalho (EPT), sendo respondido através de uma escala do tipo Likert de 7 pontos. A escala neste estudo vai de “0 = nunca” a “6 = todo dia” .
2 - Escala de Avaliação da Fadiga -  Trata-se de um instrumento auto-aplicável  com 10 itens. As respostas são avaliadas em escala de cinco pontos, variando de para Nunca e 2 para Raramente, para Algumas vezes,  4 para Frequentemente  e 5 para Sempre.
            3 - Características Sócio-Demográficas. Tiveram o objetivo de demonstrar um perfil da amostra, envolvendo questões tais como: Sexo, Idade, Estado civil, Escolaridade, Renda média, dentre outras .
Os professores foram contactados com antecedência e esclarecidos do propósito do estudo. Em seguida receberam o instrumento para que fosse respondido.

Resultados

Quanto a satisfação laboral, foram feitos dois questionamentos, a seguir:
a) Está satisfeito(a) com a atividade que realiza? Neste caso, observou-se que 92,1% dos respondentes está satisfeito com o trabalho que realiza. Apenas dois sujeitos não responderam a este item.
b) Se pudesse mudaria de profissão? Questionados sobre a possibilidade de mudar de profissão, 68,4% prefere se manter na profissão, e 26,3% relatou o desejo de mudar de profissão. Apenas 5,3% não respondeu a este item. Indagados que foram sobre o porquê do desejo da mudança, as respostas foram: a profissão é estressante, cansativa incompreensão e falta de valorização profissional.
Com relação ao nível de Síndrome de Burnout. As respostas foram as seguintes:
Tabela 1:  Síndrome de Burnout
Nível de Burnout
Baixo
Médio
Alto
Exaustão Emocional
62,2%
13,6%
18,2%
Despersonalização
71,1%
18,4%
10,5%
Envolvimento Pessoal no Trabalho
15,8%
57,9%
26,3%
Barbalha, 2011
Com relação a Síndrome de Burnout entre os professores, constatou-se os seguintes resultados: Exaustão emocional -  62,2% no nível baixo, 13,6% no nível médio e 18,2% no nível alto; Despersonalização -  71,1% no nível baixo; 18,4% no nível médio e 10,5% no nível alto; Envolvimento pessoal no trabalho – 15,8% no nível baixo; 57,9% no nível médio e 26,3% no nível alto.
Estes resultados demonstram que já existe um comprometimento no sentido da possibilidade de se vir a desenvolver a síndrome em pelo menos 32,8% da amostra, que se encontra em nível de exaustão emocional médio ou alto. Este aspecto fica também demonstrado quando temos 15,8% da amostra com um baixo nível de envolvimento pessoal no trabalho. Outro indicador importante é que 10,5% já se encontram no nível de despersonalização, uma fase bem considerável de burnout, porém passível de tratamento.
Com relação a Avaliação da fadiga, os dados demonstraram o exposto na tabela seguinte:
Tabela 2:  Fadiga
Escore da Fadiga
F
%
< 25
18
47,4
25-30
15
39,5
>30
5
13,1
Total
38
100
Barbalha, 2011  
Esses resultados nos levam a crer que existe uma associação positiva com a Síndrome de Burnout, onde observamos que pelo menos 13,1% da amostra já apresenta um nível importante de fadiga, de maneira semelhante àqueles que apresentaram níveis consideráveis de burnout.

Discussão e Conclusão

Observou-se, no presente estudo, que a pontuação total das médias em cada dimensão do MBI (Maslach Burnout Inventory) para a maioria dos entrevistados, se encontra dentro da média para Exaustão Emocional (EE) e Despersonalização (DE) e levemente baixos para uma reduzida Realização Profissional. Isso, considerando as médias adotadas pelo Gepeb – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Estresse e Burnout (BENEVIDES-PEREIRA, 2002), apresentadas também por Volpato et al. (2003) como valores-padrão das médias da população brasileira.
Portanto, tomando ainda como referência as médias apontadas pelo Gepeb (BENEVIDES-PEREIRA, 2002), a presente pesquisa mostrou resultados preocupantes, uma vez que 18,2% dos entrevistados apresentaram níveis altos em Exaustão Emocional (EE) e em Despersonalização (DE) 10,5% e baixos para reduzida Realização Profissional (15,8%). Os resultados observados corroboram estudos de Benevides-Pereira (2002) e Campos (2005), os quais sugerem que um indivíduo revela Síndrome de Burnout quando apresenta altos níveis de Exaustão Emocional (EE) e Despersonalização (DE) e baixo nível ou reduzida Realização Profissional (RP).
Desta forma, pode-se pensar em resultados preocupantes para a categoria dos professores do Ensino Fundamental, no Município de Barbalha, uma vez que revelando altos níveis de exaustão emocional, apresentam esgotamento físico e mental; com os altos níveis de despersonalização, revelam sentimentos de extrema frieza com os que estão à sua volta, como colegas de trabalho, alunos, superiores e familiares. Quanto à reduzida realização profissional, revelam falta de motivação e insatisfação com o trabalho, julgando-se incapazes de cumprir com as demandas de sua função. A combinação desses três fatores representa séria ameaça à saúde do profissional da educação, bem como comprometimento de seu trabalho, exigindo intervenção imediata à síndrome.
O percentual de professores pesquisados com índice elevado em Exaustão Emocional (EE) já revela um processo de burnout em curso, levando-se em conta as considerações de Maslach e Jackson (1981), as quais estabelecem que burnout é um processo que se desenvolve em etapas, sendo a primeira delas a exaustão emocional. Codo (1999), num estudo realizado com trabalhadores da educação em todo o território brasileiro, observou que 48,4% deles experimentam a síndrome de burnout, pois apresentam níveis elevados em pelo menos uma das subescalas.
Discutindo a ocorrência da síndrome de burnout em professores, Carlotto (2004) enfatiza ser ela considerada atualmente um problema social de extrema relevância, vinculando-se a grandes custos organizacionais em razão de rotatividade de pessoal, absenteísmo, problemas de produtividade e qualidade do serviço prestado.
Os resultados referentes ao perfil sociodemográfico dos professores pesquisados, apresentados neste estudo, revelaram um grupo predominante feminino, perfil similar ao dos estudos de Codo (1999), com quase 39 mil trabalhadores em educação no Brasil, e Volpato (2003), com professores de escolas municipais do município de Maringá (PR), nos quais a grande maioria dos professores é do sexo feminino.
Em resumo, observou-se indícios de Síndrome de Burnout e Fadiga na amostra estudada, entretanto recomendam-se novos estudos em que possam utilizar um universo maior de sujeitos, inclusive com um maior número de escolas.
As relações sociais, as redes de relações e o apoio social são tópicos atuais da Psicologia, especialmente no que diz respeito às contribuições que esta ciência pode dar ao Bem-Estar e Satisfação com a Vida das pessoas (NERI, 2004). Acreditamos que estudos futuros que utlizem o argumento em favor da idéia de que as relações sociais podem, de várias formas, promover melhores condições de saúde, podem nos esclarecer mais sobre a temática da Síndrome de Burnout.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Estresse, o que é isso?

Posted in Transtornos by: maria.silvia
Dezembro 12th, 2011

Estresse é uma dessas palavras que se usa muito, sabe-se o que é, mas não é fácil definir. No dicionário, essa palavra derivada do inglês é definida como :”Conjunto de reações do organismo a agressões de origens diversas, capazes de perturbar-lhe o equilíbrio interno.” É o que você pensava?

Esse termo é originário da Física, onde designa “tensão ou força sobre um objeto com tendência a provocar alteração em sua forma, abrangendo também medidas e intensidade dessa força, bem como a resistência do objeto”. Foi usado em Medicina pela primeira vez na década de 1930, pelo endocrinologista canadense Hans Selye para descrever as reações do organismo tentando se adaptar e voltar ao seu equilíbrio, quando alterado por diferentes patologias. Ou seja, quando o organismo é exposto a diferentes agressores, ameaças ao seu equilíbrio, apresenta uma mesma forma de reagir a elas, a Síndrome Geral de Adaptação ou Estresse.

Essa reação pode ser dividida em 3 estágios:

  1. ALARME - O corpo reconhece o estressor e ativa o sistema neuroendócrino para a ação. Num modelo animal, ela seria de luta ou fuga. Ao reconhecer a ameaça, seja ela qual for, o hipotálamo, que fica no Sistema Nervoso Central, produz neurotransmissores ( dopamina, noradrenalina) e estimula a hipófise a produzir hormônios. Esses hormônios, por sua vez, estimulam outras glândulas, como a tireóide e as suprarrenais a produzirem seus homônios também. O resultado é que o corpo fica todo ativado: as pupilas se dilatam, aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial, aumenta o número de hemáceas e o açúcar no sangue, diminuem as defesas imunológicas, a digestão e o desejo sexual.
  2. ADAPTAÇÃO - o organismo repara os danos causados pela reação de ALARME, reduzindo os níveis hormonais, conforme a ameaça é superada. No entanto, se o estímulo estressor persiste, o organismo entra na fase de
  3. EXAUSTÃO - começam a falhar os mecanismos de adaptação e ocorre déficits das reservas de energia. As modificações biológicas que aparecem nessa fase assemelham-se àquelas da reação de alarme, mas o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só. Torna-se, então, mais vulnerável à instalação de doenças.

A partir desta primeira definição, especialistas estudam as consequências do estresse sobre o organismo humano em várias dimensões, classificando-o, por exemplo, em três grandes grupos : estresse fisiológico, estresse psicológico e o estresse social. Alguns estudam as patologias causadas por eles, como hipertensão arterial, úlcera, câncer, dores crônicas; outros abordam a capacidade de exercer o autocontrole, que permite lidar adequadamente com os estressores.

Quando se fala da esfera psíquica, os estímulos desagradáveis como dor, tristeza, frustração, abuso da atividade física e/ou mental, medo, incertezas , entre outros, levam à reação de ansiedade. Como já vimos em um dos primeiros textos deste Blog (ANSIEDADE E TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, de novembro de 2007), a Ansiedade é uma resposta fisiológica normal, responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. Graças a essa ativação as pessoas são capazes de realizar coisas extraordinárias quando necessário, que não dariam conta de fazer em situações mais calmas. A ansiedade pode levar a melhora de desempenho até um certo ponto. A partir daí, se a ansiedade aumenta a qualidade do desempenho via caindo, pois o indicíduo já não consegue utilizar seus recursos, que se encontram esgotados.

As diferentes pressões a que as pessoas se encontram submetidas no dia-a-dia acabam levando a uma situação de estresse crônico, com predomínio da fase de exaustão. A Organização Mundial da Saúde considera o estresse a maior epidemia do século 20 e que se estende aos dias atuais. Segundo a organização, a variedade de sintomas e doenças desencadeadas pelo estresse é responsável por 50% das mortes no mundo.

Não existe uma resposta pronta para se proteger desse mal. Hábitos de vida saudáveis, como alimentação balanceada, trabalho e repouso adequados, atividade física e de lazer, além da convivência com pessoas queridas ajudam a fortalecer o organismo e a mente. Trabalhos científicos em psiconeuroimunologia demonstram a inter-relação entre afetos positivos e a função imunológica , por exemplo. Mas é tarefa individual identificar os fatores que causam desgaste, frustração e mobilizar seus recursos para modificá-los. O que não der prá resolver sozinho, o negócio é trabalhar junto.

Mãos à obra.

As Escolas Psicanalíticas

As Escolas
Los las_escuelas

APRESENTAÇÃO

"Este termo [Escola] deve ser tomado no sentido que antigamente se dava a certos lugares de refúgio, inclusive, de bases de operação contra o que já podia se chamar de mal-estar na cultura."
J. Lacan

As Escolas da AMP tomam como referência a Escola Freudiana de Paris, que Jacques Lacan fundou no ano de 1964, em seu esforço por renovar os fundamentos e a prática da Psicanálise.

Uma Escola tem por objetivo oferecer uma organização aos analistas e não-analistas que seguem a orientação dos ensinamentos de Jacques Lacan para a reconquista do Campo Freudiano, e para a difusão da Psicanálise como saber e como prática no mundo. Nela se realiza um trabalho destinado a manter vivo o descobrimento freudiano e a orientar essa práxis original a fim de que se cumpra seu papel em nossa época. Sua preocupação é tanto pela Psicanálise pura quanto pela Psicanálise aplicada à terapêutica.

A Escola para cumprir seus objetivos põe ênfase na formação analítica de seus membros, os quais ao formar parte de uma Escola se comprometem a submeter sua prática a um controle. Por sua vez, a Escola garante a formação que oferece a seus membros ao lhes outorgar dois títulos: AME (Analista Membro da Escola), que nomeia o analista que deu as provas de ser tal e AE (Analista da Escola) que nomeia quem dá evidências de ter chegado ao final da análise.

O dispositivo do Passe, que avalia o final da análise e a qualificação do analista, e oCartel, que é um pequeno grupo no qual se realiza o trabalho de seus membros, constituem dois dos pilares fundamentais da Escola.

Atualmente, a AMP conta, entre seus membros institucionais, com oito Escolas em pleno exercício.

Cinco Escolas estão na Europa:
A Federação Européia de Escolas de Psicanálise (FEEP) é constituída por:

A École de la Cause Freudienne (ECF), na França, fundada em janeiro de 1981.
A Scuola Lacaniana di Psicoanalisi del Campo Freudiano (SLP), na Itália, fundada em maio de 2002.
A Escuela Lacaniana de Psicoanálisis del Campo Freudiano (ELP), na Espanha, fundada em maio de 2000.
A New Lacanian School (NLS), primeira escola de fala inglesa, em diversos países da Europa e dos EUA, fundada em maio de 2003.
Três Escolas estão na América:
A Escuela de la Orientación Lacaniana (EOL), na Argentina, fundada em janeiro de 1992, paralelamente à criação da AMP.
A Escola Brasileira de Psicanálise (EBP), no Brasil, fundada em abril de 1995.
A Nueva Escuela Lacaniana (NEL), que compreende Peru, Equador, Venezuela, Cuba, Colômbia, Guatemala,USA- Miami e Mexico, fundada em julho de 2000.
TEXTOS DE REFERÊNCIA
Lacan, Jacques: Ato de fundação da Escola Freudiana de Psicanálise, Nota adjunta e Preâmbulo
Lacan, Jacques: Para o Anuário
Lacan, Jacques: Carta de dissolucão
Lacan, Jacques: Un Otro falta
Lacan, Jacques: Decolaje o despegue de la Escuela
Lacan, Jacques: El Sr. A
Lacan, Jacques: Carta para la Causa Freudiana
Lacan, Jacques: Primera Carta al Foro
Lacan, Jacques: Segunda Carta al Foro
Miller, Jacques-Alain: El concepto de Escuela
Miller, Jacques-Alain: Teoría de Turín
Miller, Jacques-Alain: La escuela de Lacan
Miller, Jacques-Alain: La escuela al revés

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ASSOCIAÇÃO MUNDIAL DE PSICANÁLISE