segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Doenças Psicossomáticas

O termo pode ser compreendido, tal como descreve Julio de Mello Filho¹, como "uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática de uma medicina integral". Passou por séculos de elaboração até ser definida pela primeira vez por Heinroth (psicossomática, 1918 e somatopsíquica, 1928). A Psicossomática evoluiu das investigações psicanalíticas que contribuem para o campo com informações acerca da origem inconsciente das doenças, a vantagem que o indivíduo obtém, mesmo que indiretamente, quando adoece, etc. Em seguida dos estudos behavioristas com homens e animais. Atualmente a psicossomática tem se desenvolvido segundo uma ótica multidisciplinar promovendo a interação de vários profissionais de saúde, dentre eles, médicos, fisioterapeutas, Psicanalistas e psicólogos.
Alguns exemplos de Doenças Psicossomáticas
Literalmente falando, doença psicossomática é quando problemas psicológicos se tornam fisícos. A explicação seria que a mente não conseguiria resolver com o problema com os mecanismos de defesa então "jogaria" o "problema" e/ou "ameaça" para o corpo excluir em forma de doença, sintomas. Exemplos de doenças psicossomáticas seriam:
Artrite
Câncer (depende do câncer)
Manchas no corpo
Úlcera
Problemas nos olhos como hipermetropia, astigmatismo, miopia, etc.
Os mais variados quadros patógenos somáticos.
Mas é lógico que isso pode variar dependendo da qualidade de vida da pessoa, por exemplo: se pessoa fuma muito desde quando é jovem é quase certeza que terá um câncer no pulmão ou até de boca (por causa do cigarro e não de problemas psicológicos). Normalmente pessoas reclamam de dores em certas partes do corpo, isso pode ser um sintoma psicossomático.

Foi observado durante minha prática clínica, que os fatores concorrentes para o aparecimento de doenças psicossomáticas são, como exposto acima, válvulas catárticas de alívio do aparelho psíquico e que visam, promover a atenuação das pressões intra-psiquicas devido aos conteúdos resultantes do processo de elaboração na transição do ser Natural, que em essência possui dois predicativos basilares: “Emoções e Inteligência”, (condição essencial para todo o animal natural, da natureza), é importante aqui, que eu apresente evidentemente, o ser humano em sua condição de inteligência supra valorada frente aos demais seres naturais, porém, reconhecendo que todos os seres naturais demonstram um certo grau de inteligência por mais medilcre que seja, o que hoje em dia é muito estudado pela ciência e que também, constitui objeto de problematização aos olhos da filosofia. Poderíamos citar aqui que emoções são os sentimentos comuns a todo o animal, independente de ser um ser racional como: medo, raiva, afetividade, prazer, etc. (Idi) Para o ser Social elaborado por conta de sua condição de ser inteligente: Moral (noção de certo e errado), tendo como referência os conceitos de “Grande Bem”, ou seja, o bem coletivo no qual todos os membros de uma comunidade interagem socialmente com vistas ao bem social, ( o que é bom para a sociedade terá que ser bom para mim, e o que é bom para mim terá que ser o bem para o coletivo), este raciocínio nos leva invariavelmente `a construção da razão, que é a energia normatizadora e reguladora do que é certo e errado, com base na moral aprendida em decorrência das convenções sociais e morais da sociedade em que estamos inseridos (Super Ego). Percebemos que nesse processo de sociabilização do ser natural, nos deparamos com o afastamento de nossa essência humana quanto aos nossos predicativos basilares, portanto, devemos nos esquecer, ou melhor negar, nossos conteúdos naturais para agirmos com base inflexível na razão, que foi instituída pelas convenções morais do meio social, abstraindo-nos de nossas emoções por força do super ego (Razão Imperativa), de forma que a gratificação de nosso prazer (Ego), seja reprimida, levando-nos, assim, aos mais variados quadros neuróticos compensatórios à gratificação de nossa essência natural reprimida (Prazer). Esta dinâmica constante em nossa vida, as pressões do meio no sentido de atingir as expectativas do meio social de forma que possamos ser indivíduos plenamente integrados neste contexto, e a repressão de nossos sentidos emocionais por conta da imposição da razão frente ao gozo do prazer num constante devir cíclico (neurose), fará com que haja o rompimento de nossos padrões homeostáticos de psiconeuroimunologia, e que afetará a homeostase global desde a esfera energética até o fisiológico e estrutural, constituindo-se no psicossoma que que irá se manifestar na doença somática. Devo salientar que no meu ver particular, a doença psicossomática constitui um mecanismo de defesa compensatório dessas pressões intra-psíquicas e que caso não se fizessem apresentar, poderiam em alguma instância, lesionar permanentemente a estrutura psíquica ao promover o rompimento dos padrões de saúde mental levando o indivíduo a perda de sua sanidade mental nos seus mais variados graus, pois o demais mecanismos ab-reativos-catárticos compensatórios que se evidenciaram durante os vários anos de conflito, e em decorrência do crescimento desta “pressão” psico-emocional, mostraram-se ineficientes a longo prazo não construindo, assim, uma elaboração efetivamente definitiva na busca de manutenção de seu equilíbrio dinâmico. Essa dinâmica que compreende as doenças psicossomáticas, não só faz com que a doença física se manifeste, como também, faz com que ela (doença/sintomas), evoluam com o passar do tempo aumentando em morbidade e intensidade e tornando-se em uma doença cada vez mais crônica.

Nota do autor: Recomendo que leiam nesta página o artigo “O que são e como se formam as neuroses”

Dr. Marco Aurélio Barbosa.


Glossário:
(1) Júlio de Mello Filho (Recife, 1933) é um médico, professor e psicanalista brasileiro, fundador da Associação Brasileira de Psicossomática.

Biografia
Filho do ex-deputado estadual pela UDN em Pernambuco, Júlio de Mello e de Ma. Dulce Mattos de Mello, Julio de Mello Filho, nascido na cidade de Recife, veio para o Rio de Janeiro com 20 anos, para realizar sua formação em psicanálise e concluir seu curso de Medicina. Em 1957 formou-se em Clínica Médica pela Escola de Medicina Cirúrgica do Rio de Janeiro, atual UNIRIO, tornando-se logo um respeitado especialista em doenças do colágeno. Em 1972 concluiu sua formação psicanalítica pela Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. "Em fins de 1978, Júlio de Mello Filho foi convidado por Aluísio Amâncio, professor da clínica médica, para compor o quadro de professores da UERJ, com o intuito de ministrar uma cadeira de Psicologia Médica no curso de Medicina. Nesse período, Mello Filho era um profissional bastante conceituado na área de psicossomática, havia implantado, em 1966, no Hospital São Francisco de Assis da UFRJ, este setor, no qual permaneceu como chefe de serviço durante onze anos. Havia, inclusive, publicado o livro: Concepção psicossomática: uma visão atual (MELLO FILHO, 1979), no qual relatava sua experiência." [1] Recebeu vários prêmios, entre eles: Prêmio Roussel em 1972, pelo seu trabalho Aspectos psicossomáticos da Menopausa.
Realizações: Júlio de Mello Filho, juntamente com Danilo Perestrello e Abram Eksterman, foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Psicossomática, inaugurada em 1965, sendo um dos precursores da psicossomática no Brasil. Publicou vários artigos e livros sobre esse tema.
(2) Behaviorismo (Behaviorism em inglês, de behaviour (RU) ou behavior (EUA): comportamento, conduta), Comportamentalismo, Análise do Comportamento ou Psicologia Objetiva[1] é o conjunto das teorias psicológicas que postulam o comportamento como único, ou ao menos mais desejável, objeto de estudo da Psicologia, propondo a observação de modo mais objetivo do comportamento, tanto humano quanto animal, dando atenção à comportamentos observáveis através de estímulos e respostas, não fazendo uso do método de introspecção. Os behavioristas afirmam que os processos mentais internos não são mensuráveis ou analisáveis, sendo, portanto, de pouca utilidade para a Psicologia empírica.
(3) Mecanismos de defesa são processos subconscientes que permitem a mente encontrar uma solução para conflitos não resolvidos ao nível da consciência. A psicanálise supõe a existência de forças mentais que se opõem umas às outras e que batalham entre si. Freud utilizou a expressão pela primeira vez no seu "As neuroses e psicoses de defesa", de 1894.

Referências:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicossom%C3%A1tica Acessado em 14/09/2008.
http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-psicanalise.html%20em%2015/09/08Acessado em 15/09/08.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Julio_de_mello_filho Acessado em 15/09/08 .