sábado, 19 de julho de 2008

DEPRESSÃO


"A depressão representa uma das doenças mais comuns da era moderna, mas já é conhecida desde a antiguidade. É um mal que acomete homens, mulheres e crianças, de todas as etnias e classes sociais, mas é duas vezes mais comum nas mulheres. Sentimentos de infelicidade, inutilidade, culpa e vazio são normais e ocorrem em todas as pessoas após acontecimentos indesejáveis. Geralmente desaparecem algum tempo depois, não devendo ser encarados como depressão. Entretanto, deve-se ficar atento quando esses sentimentos se tornam graves e duram várias semanas". Todos nós temos em algum momento da vida, a manifestação de sintomas depressivos em virtude de experimentações vivenciais, porém é importante observar que o ritmo da vida contemporânea nas suas mais variadas modalidades de interação social, permite e conduz o indivíduo a um comportamento depressivo, que quando não constante, se faz recorrente com oscilações constantes nos estados de humor.

O que é a depressão?

A depressão é uma doença caracterizada por um estado de humor deprimido. A pessoa fica angustiada, desanimada, sente-se sem energia e uma tristeza profunda, às vezes acompanhada de tédio e indiferença. Quando os sentimentos são muitos e confusos, o indivíduo pode ter a impressão de que não tem sentimentos. As atividades normais do dia-a-dia passam a não ter mais importância e a pessoa passa a encarar até as tarefas mais simples como se fossem um grande esforço.
A vida perde a cor e a pessoa perde o interesse por tudo, inclusive seus hobbies preferidos, amigos e até o sexo. Há mudança do apetite (que pode aumentar ou diminuir), alterações do sono (sendo mais comum a insônia). Geralmente a pessoa deprimida prefere ficar isolada, num lugar onde possa ficar só. Assim, doença interfere com o trabalho e a vida da pessoa, podendo mudar até a maneira como o indivíduo pensa e/ou age.

O que causa a depressão?
Na doença depressiva nem sempre é possível descobrir quais acontecimentos levaram ao seu desenvolvimento. Na maioria das vezes é uma doença com apresenta múltiplas causas, que interagem umas com as outras levando à sua apresentação clínica. Acredita-se que haja uma base hereditária, já que pessoas com história familiar de depressão apresentam maiores chances de desenvolver a doença. Associados a isso, podemos ter os seguintes fatores:
• Acontecimentos na vida que levam à grande entristecimento: morte na família, crise e separação matrimonial, menopausa, parto, etc.• Modo de encarar a vida, de forma pessimista, negativista• Estresse• Problemas sociais como desemprego, solidãoEsses fatores citados acima podem desencadear a doença em pessoas predispostas ou então levar por si só à depressão.
A doença se manifesta quando há uma alteração na comunicação entre as células cerebrais, os neurônios, causando um desequilíbrio químico-fisiológico. Essa comunicação é realizada por substâncias chamadas neurotransmissores. No caso da depressão, são importantes duas dessas substâncias: a serotonina e a noradrenalina. Elas estão envolvidas em todos os processos responsáveis pelos sintomas da doença.
Em minha experiência Clínica percebi ao longo dos anos, que as pessoas manifestam os quadros depressivos devido a não gratificação dos anseios naturais à plenitude do bem estar de seu EGO, ou seja: Todos nós nascemos com cargas naturais impressos em nossa genética, com o instinto basal em ter prazer e ser feliz (emoções e inteligência como condição natural ao ser humano, ID), porém, no nosso desenvolvimento rumo à construção de um indivíduo sociável, somos confrontados com as imposições de regras de convivência social, oriundas das convenções sócio-culturais que impõem negativas a gratificação de nosso prazer e faz com que nosso EGO fique reprimido em detrimento de nosso SUPEREGO, que é a energia do psiquismo que impõe as negativas dado a elaboração do aprendizado sobre as regras de convivência social e imposições morais. A castração natural de nossas pulsões instintuais farão com que se eleve os nossos padrões de ansiedade na busca por esta gratificação dentro dos parâmetros morais e sociais que as convenções de meio nos apresentam. Teremos, então, a ANSIEDADE, que nada mais é do que a necessidade instintual em ter prazer e ser feliz. Essa ansiedade não gratificada nos leva a um quadro de angústia, que é o sentimento de decepção consigo mesmo no afã de conquistar o objeto de gratificação, diminuindo, assim, nossa auto-estima e fazendo com que nos sintamos desvalorizados frente ao meio e a nossos objetos de afeto referenciais primários (Pai e Mãe), e os objetos de afeto secundários na forma de deslocamentos projetivos (cônjuge, amigos, colegas de trabalho e demais referências de importância afetiva). O ciclo constante de ansiedade-frustração nos leva invariavelmente as manifestações depressivas, pois não conseguimos transformar nossa realidade e cumprirmos com nossa missão em ser feliz por conta da gratificação de nosso ego. Teremos, então, como se estivéssemos em um jogo de dominó em que uma peça derruba a peça seguinte concorrendo a uma evolução sintomática e patológica do quadro psicoemocional por ter a homeostase psico-neuro-imunológica comprometida, os seguintes sintomas depressivos se manifestam: Leve, moderado e profundo, pois quanto maior a nossa confrontação com as imposições negativas do meio e concorrente negação em gratificarmos o nosso ego ansioso, maior será o nosso sentimento de impotência frente à realidade da vida como se nos apresenta. Portanto a depressão nada mais é do que um sentimento de incapacidade em poder transformar a realidade no sentido em ter prazer e ser feliz, levando a um sentimento de que a vida não mais nos oferece expectativas reais de gratificação e causando um comportamento totalmente desinteressado para com a vida em todos os seus segmentos. Evidentemente abordo aqui as questões puramente emocionais para a concorrência da depressão patológica.

Quem apresenta maior risco de desenvolver a depressão?
Alguns indivíduos apresentam maior risco de desenvolver depressão, como por exemplo:
• Pessoas que já tiveram depressão• Pessoas que têm familiares com depressão• Pessoas que convivem freqüentemente com eventos adversos• Pessoas com problemas de relacionamento• Aqueles que sofrem de isolamento social, como: idosos, desempregados, marginalizados, minorias étnicas, mães solteiras• Doentes ou incapacitados• Mulheres nos 18 meses seguintes a um parto• Pessoas que abusam de drogas, medicamentos, álcool

Como reconhecer a depressão
Como dito anteriormente, os critérios para o diagnóstico da depressão baseiam-se principalmente na intensidade e duração dos sintomas. Em geral, os pacientes apresentam:
• Sentimentos de inutilidade, desamparo ou falta de esperança• Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade• Dormir mais ou menos que o normal• Comer mais ou menos que o normal• Dificuldade em concentrar-se ou em tomar decisões• Perda de interesse em participar de atividades• Redução da libido (desejo sexual)• Recusa em estar com outras pessoas• Sentimentos exagerados de culpa, tristeza ou mágoa• Perda de energia ou sentimento de cansaço• Pensamentos de morte e suicídio
Importante lembrar que a depressão pode manifestar-se também por sintomas físicos, como dores de estômago, dores de cabeça, dores pelo corpo e nas costas, pressão no peito, entre outros.

Tratamento
Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a depressão tem cura. É importante que ao perceber os sintomas, a pessoa procure atendimento médico pois quanto antes for iniciado o tratamento mais rápido o doente voltará à sua vida normal. O tratamento pode ser realizado com o uso de antidepressivos, psicoterapia ou com a associação dos dois. É fundamental o apoio e a participação de familiares e amigos no sucesso do tratamento.
Os antidepressivos constituem um grupo de medicamentos que têm o objetivo de restabelecer o equilíbrio da comunicação dos neurônios. Atualmente temos vários tipos de antidepressivos, cada um com sua indicação específica. Alguns exemplos são:
• Amitriptilina, nortriptilina, imipramina• Fluoxetina, paroxetina, sertralina
Os antidepressivos de um modo geral não causam sonolência, nem dependência e não precisam ser tomados para o resto da vida. Uma característica importante é que o início dos efeitos não é imediato, necessitando de um período de aproximadamente 3 a 4 semanas para começar a mostrar resultados. Da mesma forma, deve-se ter em mente que o tratamento da depressão é demorado, levando em média de 4 a 6 meses, podendo estender-se até um ano ou mais. Isso tudo vai depender da gravidade da doença e da resposta do paciente ao tratamento.
A psicoterapia é de extrema importância pois ajuda a pessoa a reconhecer a doença e que precisa de ajuda, e a identificar pontos importantes que possam ter contribuído para o desenvolvimento da depressão, ao mesmo tempo em que possibilita a elaboração de estratégias para driblar esses fatores. Associada aos antidepressivos, leva a excelentes resultados.

Um amigo ou familiar está com depressão, o que fazer?
Em primeiro lugar deve-se compreender que a pessoa não tem culpa de estar deprimida, e que ela não pode simplesmente sair dela. Tentar animar a pessoa deprimida, mostrando as coisas boas da vida, na maioria das vezes só piora as coisas. Você se sentirá frustrado e a pessoa deprimida se sentirá mais culpada ainda. Algumas atitudes, entretanto, podem ser extremamente úteis:
• Escutar a pessoa deprimida: encorajar a pessoa a falar sobre seus sentimentos, oferecer apoio; não tente resolver os problemas dela, apenas escute• Não critique, pois as pessoas deprimidas são muito sensíveis e isso pode fazê-las desmoronar• Não tome a depressão do outro como sua culpa• Não pressione• Não assuma as responsabilidades dela• Não perca a paciência, a pessoa deprimida pode estar irritável• Ofereça simpatia e compreensão

DR. MARCO AURÉLIO BARBOSA.


Referências:

Copyright © 2004 Bibliomed, Inc.
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=4590&ReturnCatID= Acessado em 20 jun. 2.008.