terça-feira, 19 de abril de 2016

Construção da Consciência (visão existencialista)

Construção da Consciência
(visão existencialista)

Construir a consciência de um ser dotado de razão que pode se comprometer, não é tarefa contrária que a ordem natural se se compromete com relação ao ser humano?
Podemos afirmar que esse é o grande dilema ao qual se coloca o homem? ... A certeza de que essa dúvida foi, com efeito, elaborado de forma satisfatória aparentará, num primeiro momento, ser algo que sublime à natureza humana para aquele que tem a sensibilidade subjetiva para reconhecer toda a energia latente existente nas ações contrárias nas construções individuais quanto à gratificação do prazer natural e o dever moral imposto pelo meio social em que estamos inseridos, frente a sua realidade sociocultural, inclinando-nos á negligência objetiva na forma de esquecimento. A inclinação aos lapsos mnêmicos não se limita a uma mera energia cinética comportamental, como acreditam aqueles que a enxergam com o olhar da superficialidade, em verdade, constitui muito mais que um entrave objetivo, uma capacidade reguladora, a qual nos permite estarmos condicionados à realidade de tudo o que acontece em nossa vida toda a sorte de vivências experimentadas, se mostra à nossa consciência enquanto todo o processo de elaboração no que tange à construção de nossa personalidade subjetiva (emocional/espiritual).
Obstruir, mesmo que por um pequeno instante, os acessos da Consciência e alienar-se ficando alheio aos sons e a verdadeira “batalha” orgânica da fisiologia do nosso corpo, mesmo que aparentemente inexistente, pois não o percebemos, não impactando em afirmação realística de que essa atividade orgânica não exista, mesmo não sendo perceptível aos órgãos de sentidos. Em analogia, podemos comparar o indivíduo que se aliena do mundo objetivo material, desligando-se da realidade social e de suas obrigações concorrentes negligenciando suas responsabilidades junto ao “corpus” social tornando-se um “satélite” do seu próprio universo, ficando inconsciente à sua própria realidade e, portanto, a mercê do sabor do fluxo contínuo da vida. O ser consciente no exercício pleno de sua consciência, busca a interação com as dinâmicas existenciais, no sentido de participar de maneira direta no fluxo concorrente de sua realidade ontológica enquanto ser manifesto na realidade mundana. Portanto é importante que o indivíduo disponha-se por antecipação do devir da realidade iniciando o seu aprendizado e promova o hiato dicotômico do que lhe é próprio e o que lhe é fortuito, debruçando-se sobre os fenômenos causais de maneira a antecipar-se á essa fenomenologia, presencialmente e de maneira contínua a observar com segurança o que é objetivo e os meios materiais para atingir suas metas. Para que isso ocorra no ser humano, foi necessário que se construísse uma personalidade verificável no sentido matemático, sendo, então a representação de si, podendo, assim, comprometer-se com as dinâmicas das expectativas do seu conjunto vivencial quanto às categorias que incorrem em imposições do “corpus” social em que está inserido, dessa forma sendo aceito e participando de seu todo promovendo a garantia de si mesmo no futuro.

       Marco Aurélio Barbosa

Psicanalista Clínico, Professor e Filósofo

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