segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Doenças Psicossomáticas

O termo pode ser compreendido, tal como descreve Julio de Mello Filho¹, como "uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática de uma medicina integral". Passou por séculos de elaboração até ser definida pela primeira vez por Heinroth (psicossomática, 1918 e somatopsíquica, 1928). A Psicossomática evoluiu das investigações psicanalíticas que contribuem para o campo com informações acerca da origem inconsciente das doenças, a vantagem que o indivíduo obtém, mesmo que indiretamente, quando adoece, etc. Em seguida dos estudos behavioristas com homens e animais. Atualmente a psicossomática tem se desenvolvido segundo uma ótica multidisciplinar promovendo a interação de vários profissionais de saúde, dentre eles, médicos, fisioterapeutas, Psicanalistas e psicólogos.
Alguns exemplos de Doenças Psicossomáticas
Literalmente falando, doença psicossomática é quando problemas psicológicos se tornam fisícos. A explicação seria que a mente não conseguiria resolver com o problema com os mecanismos de defesa então "jogaria" o "problema" e/ou "ameaça" para o corpo excluir em forma de doença, sintomas. Exemplos de doenças psicossomáticas seriam:
Artrite
Câncer (depende do câncer)
Manchas no corpo
Úlcera
Problemas nos olhos como hipermetropia, astigmatismo, miopia, etc.
Os mais variados quadros patógenos somáticos.
Mas é lógico que isso pode variar dependendo da qualidade de vida da pessoa, por exemplo: se pessoa fuma muito desde quando é jovem é quase certeza que terá um câncer no pulmão ou até de boca (por causa do cigarro e não de problemas psicológicos). Normalmente pessoas reclamam de dores em certas partes do corpo, isso pode ser um sintoma psicossomático.

Foi observado durante minha prática clínica, que os fatores concorrentes para o aparecimento de doenças psicossomáticas são, como exposto acima, válvulas catárticas de alívio do aparelho psíquico e que visam, promover a atenuação das pressões intra-psiquicas devido aos conteúdos resultantes do processo de elaboração na transição do ser Natural, que em essência possui dois predicativos basilares: “Emoções e Inteligência”, (condição essencial para todo o animal natural, da natureza), é importante aqui, que eu apresente evidentemente, o ser humano em sua condição de inteligência supra valorada frente aos demais seres naturais, porém, reconhecendo que todos os seres naturais demonstram um certo grau de inteligência por mais medilcre que seja, o que hoje em dia é muito estudado pela ciência e que também, constitui objeto de problematização aos olhos da filosofia. Poderíamos citar aqui que emoções são os sentimentos comuns a todo o animal, independente de ser um ser racional como: medo, raiva, afetividade, prazer, etc. (Idi) Para o ser Social elaborado por conta de sua condição de ser inteligente: Moral (noção de certo e errado), tendo como referência os conceitos de “Grande Bem”, ou seja, o bem coletivo no qual todos os membros de uma comunidade interagem socialmente com vistas ao bem social, ( o que é bom para a sociedade terá que ser bom para mim, e o que é bom para mim terá que ser o bem para o coletivo), este raciocínio nos leva invariavelmente `a construção da razão, que é a energia normatizadora e reguladora do que é certo e errado, com base na moral aprendida em decorrência das convenções sociais e morais da sociedade em que estamos inseridos (Super Ego). Percebemos que nesse processo de sociabilização do ser natural, nos deparamos com o afastamento de nossa essência humana quanto aos nossos predicativos basilares, portanto, devemos nos esquecer, ou melhor negar, nossos conteúdos naturais para agirmos com base inflexível na razão, que foi instituída pelas convenções morais do meio social, abstraindo-nos de nossas emoções por força do super ego (Razão Imperativa), de forma que a gratificação de nosso prazer (Ego), seja reprimida, levando-nos, assim, aos mais variados quadros neuróticos compensatórios à gratificação de nossa essência natural reprimida (Prazer). Esta dinâmica constante em nossa vida, as pressões do meio no sentido de atingir as expectativas do meio social de forma que possamos ser indivíduos plenamente integrados neste contexto, e a repressão de nossos sentidos emocionais por conta da imposição da razão frente ao gozo do prazer num constante devir cíclico (neurose), fará com que haja o rompimento de nossos padrões homeostáticos de psiconeuroimunologia, e que afetará a homeostase global desde a esfera energética até o fisiológico e estrutural, constituindo-se no psicossoma que que irá se manifestar na doença somática. Devo salientar que no meu ver particular, a doença psicossomática constitui um mecanismo de defesa compensatório dessas pressões intra-psíquicas e que caso não se fizessem apresentar, poderiam em alguma instância, lesionar permanentemente a estrutura psíquica ao promover o rompimento dos padrões de saúde mental levando o indivíduo a perda de sua sanidade mental nos seus mais variados graus, pois o demais mecanismos ab-reativos-catárticos compensatórios que se evidenciaram durante os vários anos de conflito, e em decorrência do crescimento desta “pressão” psico-emocional, mostraram-se ineficientes a longo prazo não construindo, assim, uma elaboração efetivamente definitiva na busca de manutenção de seu equilíbrio dinâmico. Essa dinâmica que compreende as doenças psicossomáticas, não só faz com que a doença física se manifeste, como também, faz com que ela (doença/sintomas), evoluam com o passar do tempo aumentando em morbidade e intensidade e tornando-se em uma doença cada vez mais crônica.

Nota do autor: Recomendo que leiam nesta página o artigo “O que são e como se formam as neuroses”

Dr. Marco Aurélio Barbosa.


Glossário:
(1) Júlio de Mello Filho (Recife, 1933) é um médico, professor e psicanalista brasileiro, fundador da Associação Brasileira de Psicossomática.

Biografia
Filho do ex-deputado estadual pela UDN em Pernambuco, Júlio de Mello e de Ma. Dulce Mattos de Mello, Julio de Mello Filho, nascido na cidade de Recife, veio para o Rio de Janeiro com 20 anos, para realizar sua formação em psicanálise e concluir seu curso de Medicina. Em 1957 formou-se em Clínica Médica pela Escola de Medicina Cirúrgica do Rio de Janeiro, atual UNIRIO, tornando-se logo um respeitado especialista em doenças do colágeno. Em 1972 concluiu sua formação psicanalítica pela Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. "Em fins de 1978, Júlio de Mello Filho foi convidado por Aluísio Amâncio, professor da clínica médica, para compor o quadro de professores da UERJ, com o intuito de ministrar uma cadeira de Psicologia Médica no curso de Medicina. Nesse período, Mello Filho era um profissional bastante conceituado na área de psicossomática, havia implantado, em 1966, no Hospital São Francisco de Assis da UFRJ, este setor, no qual permaneceu como chefe de serviço durante onze anos. Havia, inclusive, publicado o livro: Concepção psicossomática: uma visão atual (MELLO FILHO, 1979), no qual relatava sua experiência." [1] Recebeu vários prêmios, entre eles: Prêmio Roussel em 1972, pelo seu trabalho Aspectos psicossomáticos da Menopausa.
Realizações: Júlio de Mello Filho, juntamente com Danilo Perestrello e Abram Eksterman, foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Psicossomática, inaugurada em 1965, sendo um dos precursores da psicossomática no Brasil. Publicou vários artigos e livros sobre esse tema.
(2) Behaviorismo (Behaviorism em inglês, de behaviour (RU) ou behavior (EUA): comportamento, conduta), Comportamentalismo, Análise do Comportamento ou Psicologia Objetiva[1] é o conjunto das teorias psicológicas que postulam o comportamento como único, ou ao menos mais desejável, objeto de estudo da Psicologia, propondo a observação de modo mais objetivo do comportamento, tanto humano quanto animal, dando atenção à comportamentos observáveis através de estímulos e respostas, não fazendo uso do método de introspecção. Os behavioristas afirmam que os processos mentais internos não são mensuráveis ou analisáveis, sendo, portanto, de pouca utilidade para a Psicologia empírica.
(3) Mecanismos de defesa são processos subconscientes que permitem a mente encontrar uma solução para conflitos não resolvidos ao nível da consciência. A psicanálise supõe a existência de forças mentais que se opõem umas às outras e que batalham entre si. Freud utilizou a expressão pela primeira vez no seu "As neuroses e psicoses de defesa", de 1894.

Referências:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicossom%C3%A1tica Acessado em 14/09/2008.
http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-psicanalise.html%20em%2015/09/08Acessado em 15/09/08.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Julio_de_mello_filho Acessado em 15/09/08 .

sábado, 19 de julho de 2008

DEPRESSÃO


"A depressão representa uma das doenças mais comuns da era moderna, mas já é conhecida desde a antiguidade. É um mal que acomete homens, mulheres e crianças, de todas as etnias e classes sociais, mas é duas vezes mais comum nas mulheres. Sentimentos de infelicidade, inutilidade, culpa e vazio são normais e ocorrem em todas as pessoas após acontecimentos indesejáveis. Geralmente desaparecem algum tempo depois, não devendo ser encarados como depressão. Entretanto, deve-se ficar atento quando esses sentimentos se tornam graves e duram várias semanas". Todos nós temos em algum momento da vida, a manifestação de sintomas depressivos em virtude de experimentações vivenciais, porém é importante observar que o ritmo da vida contemporânea nas suas mais variadas modalidades de interação social, permite e conduz o indivíduo a um comportamento depressivo, que quando não constante, se faz recorrente com oscilações constantes nos estados de humor.

O que é a depressão?

A depressão é uma doença caracterizada por um estado de humor deprimido. A pessoa fica angustiada, desanimada, sente-se sem energia e uma tristeza profunda, às vezes acompanhada de tédio e indiferença. Quando os sentimentos são muitos e confusos, o indivíduo pode ter a impressão de que não tem sentimentos. As atividades normais do dia-a-dia passam a não ter mais importância e a pessoa passa a encarar até as tarefas mais simples como se fossem um grande esforço.
A vida perde a cor e a pessoa perde o interesse por tudo, inclusive seus hobbies preferidos, amigos e até o sexo. Há mudança do apetite (que pode aumentar ou diminuir), alterações do sono (sendo mais comum a insônia). Geralmente a pessoa deprimida prefere ficar isolada, num lugar onde possa ficar só. Assim, doença interfere com o trabalho e a vida da pessoa, podendo mudar até a maneira como o indivíduo pensa e/ou age.

O que causa a depressão?
Na doença depressiva nem sempre é possível descobrir quais acontecimentos levaram ao seu desenvolvimento. Na maioria das vezes é uma doença com apresenta múltiplas causas, que interagem umas com as outras levando à sua apresentação clínica. Acredita-se que haja uma base hereditária, já que pessoas com história familiar de depressão apresentam maiores chances de desenvolver a doença. Associados a isso, podemos ter os seguintes fatores:
• Acontecimentos na vida que levam à grande entristecimento: morte na família, crise e separação matrimonial, menopausa, parto, etc.• Modo de encarar a vida, de forma pessimista, negativista• Estresse• Problemas sociais como desemprego, solidãoEsses fatores citados acima podem desencadear a doença em pessoas predispostas ou então levar por si só à depressão.
A doença se manifesta quando há uma alteração na comunicação entre as células cerebrais, os neurônios, causando um desequilíbrio químico-fisiológico. Essa comunicação é realizada por substâncias chamadas neurotransmissores. No caso da depressão, são importantes duas dessas substâncias: a serotonina e a noradrenalina. Elas estão envolvidas em todos os processos responsáveis pelos sintomas da doença.
Em minha experiência Clínica percebi ao longo dos anos, que as pessoas manifestam os quadros depressivos devido a não gratificação dos anseios naturais à plenitude do bem estar de seu EGO, ou seja: Todos nós nascemos com cargas naturais impressos em nossa genética, com o instinto basal em ter prazer e ser feliz (emoções e inteligência como condição natural ao ser humano, ID), porém, no nosso desenvolvimento rumo à construção de um indivíduo sociável, somos confrontados com as imposições de regras de convivência social, oriundas das convenções sócio-culturais que impõem negativas a gratificação de nosso prazer e faz com que nosso EGO fique reprimido em detrimento de nosso SUPEREGO, que é a energia do psiquismo que impõe as negativas dado a elaboração do aprendizado sobre as regras de convivência social e imposições morais. A castração natural de nossas pulsões instintuais farão com que se eleve os nossos padrões de ansiedade na busca por esta gratificação dentro dos parâmetros morais e sociais que as convenções de meio nos apresentam. Teremos, então, a ANSIEDADE, que nada mais é do que a necessidade instintual em ter prazer e ser feliz. Essa ansiedade não gratificada nos leva a um quadro de angústia, que é o sentimento de decepção consigo mesmo no afã de conquistar o objeto de gratificação, diminuindo, assim, nossa auto-estima e fazendo com que nos sintamos desvalorizados frente ao meio e a nossos objetos de afeto referenciais primários (Pai e Mãe), e os objetos de afeto secundários na forma de deslocamentos projetivos (cônjuge, amigos, colegas de trabalho e demais referências de importância afetiva). O ciclo constante de ansiedade-frustração nos leva invariavelmente as manifestações depressivas, pois não conseguimos transformar nossa realidade e cumprirmos com nossa missão em ser feliz por conta da gratificação de nosso ego. Teremos, então, como se estivéssemos em um jogo de dominó em que uma peça derruba a peça seguinte concorrendo a uma evolução sintomática e patológica do quadro psicoemocional por ter a homeostase psico-neuro-imunológica comprometida, os seguintes sintomas depressivos se manifestam: Leve, moderado e profundo, pois quanto maior a nossa confrontação com as imposições negativas do meio e concorrente negação em gratificarmos o nosso ego ansioso, maior será o nosso sentimento de impotência frente à realidade da vida como se nos apresenta. Portanto a depressão nada mais é do que um sentimento de incapacidade em poder transformar a realidade no sentido em ter prazer e ser feliz, levando a um sentimento de que a vida não mais nos oferece expectativas reais de gratificação e causando um comportamento totalmente desinteressado para com a vida em todos os seus segmentos. Evidentemente abordo aqui as questões puramente emocionais para a concorrência da depressão patológica.

Quem apresenta maior risco de desenvolver a depressão?
Alguns indivíduos apresentam maior risco de desenvolver depressão, como por exemplo:
• Pessoas que já tiveram depressão• Pessoas que têm familiares com depressão• Pessoas que convivem freqüentemente com eventos adversos• Pessoas com problemas de relacionamento• Aqueles que sofrem de isolamento social, como: idosos, desempregados, marginalizados, minorias étnicas, mães solteiras• Doentes ou incapacitados• Mulheres nos 18 meses seguintes a um parto• Pessoas que abusam de drogas, medicamentos, álcool

Como reconhecer a depressão
Como dito anteriormente, os critérios para o diagnóstico da depressão baseiam-se principalmente na intensidade e duração dos sintomas. Em geral, os pacientes apresentam:
• Sentimentos de inutilidade, desamparo ou falta de esperança• Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade• Dormir mais ou menos que o normal• Comer mais ou menos que o normal• Dificuldade em concentrar-se ou em tomar decisões• Perda de interesse em participar de atividades• Redução da libido (desejo sexual)• Recusa em estar com outras pessoas• Sentimentos exagerados de culpa, tristeza ou mágoa• Perda de energia ou sentimento de cansaço• Pensamentos de morte e suicídio
Importante lembrar que a depressão pode manifestar-se também por sintomas físicos, como dores de estômago, dores de cabeça, dores pelo corpo e nas costas, pressão no peito, entre outros.

Tratamento
Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a depressão tem cura. É importante que ao perceber os sintomas, a pessoa procure atendimento médico pois quanto antes for iniciado o tratamento mais rápido o doente voltará à sua vida normal. O tratamento pode ser realizado com o uso de antidepressivos, psicoterapia ou com a associação dos dois. É fundamental o apoio e a participação de familiares e amigos no sucesso do tratamento.
Os antidepressivos constituem um grupo de medicamentos que têm o objetivo de restabelecer o equilíbrio da comunicação dos neurônios. Atualmente temos vários tipos de antidepressivos, cada um com sua indicação específica. Alguns exemplos são:
• Amitriptilina, nortriptilina, imipramina• Fluoxetina, paroxetina, sertralina
Os antidepressivos de um modo geral não causam sonolência, nem dependência e não precisam ser tomados para o resto da vida. Uma característica importante é que o início dos efeitos não é imediato, necessitando de um período de aproximadamente 3 a 4 semanas para começar a mostrar resultados. Da mesma forma, deve-se ter em mente que o tratamento da depressão é demorado, levando em média de 4 a 6 meses, podendo estender-se até um ano ou mais. Isso tudo vai depender da gravidade da doença e da resposta do paciente ao tratamento.
A psicoterapia é de extrema importância pois ajuda a pessoa a reconhecer a doença e que precisa de ajuda, e a identificar pontos importantes que possam ter contribuído para o desenvolvimento da depressão, ao mesmo tempo em que possibilita a elaboração de estratégias para driblar esses fatores. Associada aos antidepressivos, leva a excelentes resultados.

Um amigo ou familiar está com depressão, o que fazer?
Em primeiro lugar deve-se compreender que a pessoa não tem culpa de estar deprimida, e que ela não pode simplesmente sair dela. Tentar animar a pessoa deprimida, mostrando as coisas boas da vida, na maioria das vezes só piora as coisas. Você se sentirá frustrado e a pessoa deprimida se sentirá mais culpada ainda. Algumas atitudes, entretanto, podem ser extremamente úteis:
• Escutar a pessoa deprimida: encorajar a pessoa a falar sobre seus sentimentos, oferecer apoio; não tente resolver os problemas dela, apenas escute• Não critique, pois as pessoas deprimidas são muito sensíveis e isso pode fazê-las desmoronar• Não tome a depressão do outro como sua culpa• Não pressione• Não assuma as responsabilidades dela• Não perca a paciência, a pessoa deprimida pode estar irritável• Ofereça simpatia e compreensão

DR. MARCO AURÉLIO BARBOSA.


Referências:

Copyright © 2004 Bibliomed, Inc.
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=4590&ReturnCatID= Acessado em 20 jun. 2.008.

domingo, 29 de junho de 2008

Uma visão filosófica, da abordagem ontológica no contexto social, desde os filósofos pré-socráticos a uma abordagem filosófica contemporânea

Desde a Grécia antiga e mais precisamente nos primórdios da filosofia, existe a pergunta sobre “o ser e o não ser”, que foi formulada por Parmênides de Eléia que buscava a verdadeira essência da realidade de todas as coisas, dentre esta multiplicidade, também o homem no seu contexto natural por essência. Com Sócrates passou-se a estudar a essência de justiça e o grande bem de, e para o ser humano, no qual Aristóteles fundamentou sua teoria sobre a Pólis com base na Paidéia pedagógica, para formação de governantes realmente dotados dos predicativos necessários e fundamentais para o bem geral da sociedade, de forma com que todos os membros desta sociedade pudessem viver de maneira plena e fortalecidos contra as vicissitudes humanas, fundamentados na lógica e na razão. Portanto na psicologia da época, buscava-se o bem estar geral nas virtudes humanas.
Na vida contemporânea percebemos que as virtudes cardeais que norteavam o homem em comparação à Grécia antiga, foram abandonadas, porém, quais seriam os fatores determinantes para esta mudança do perfil psicológico na atualidade de nossa sociedade, onde percebemos a derrocada de valores basais do ser humano? Quais seriam as causas desta fenomenologia que impõe à sociedade de forma geral tantas preocupações, o que essencialmente mudou no ser humano contemporâneo, e por que o conceito prático de bem, está tão desgastado na atualidade, manifestando sintomas sociais como: violência, corrupção, falta de ética no convívio social, etc.?
Recentemente vimos apresentados na mídia, casos de filhos abandonando seus lares em busca de aventuras e liberdade, nos depoimentos que vimos, dados por eles, havia a manifestação de queixas feitas às suas famílias, de que não eram compreendidos, sentiam-se reprimidos e não se sentiam afetivamente valorizados. É notório ao observarmos estes comentários, que estes jovens vivenciam um paradigma sócio-cultural, que buscam a gratificação de seus conteúdos emocionais e fortalecimento de seu EGO, em contraposição aos valores morais e culturais apresentados por seus pais, que no afã de instruir seus filhos no caminho moralmente correto, impõe a castração destes mesmos conteúdos de gratificação do puro prazer, para que se tornem cidadãos aptos a participarem de forma construtiva e integrada na sociedade. Vemos, também a luta que os pais se vêem obrigados a enfrentar diariamente na busca pela manutenção econômico-material de seus lares, para que possam dar todo o conforto possível aos que amam, e impondo com isso, involuntariamente por força do meio, o distanciamento aos seus objetos de afeto fazendo-os sentirem-se afetivamente abandonados, sozinhos e inseguros. Percebemos também, a grande quantidade de famílias desagregadas por separações, isso com certeza em muito influencia neste comportamento rebelde, nessa busca por espaço e construção de sua individualidade, tentando fazer com que suas idéias e opiniões sejam respeitadas. Hoje, a juventude “transformou-se num excelente e gigantesco mercado de consumo para inúmeros produtos, alguns dos quais criados especialmente ou com a sua publicidade voltada exclusivamente para o adolescente” (BECKER, 1985, p. 59). Até bem pouco tempo, ser jovem era somente uma fase de transição vivida apressadamente em direção do ser maduro, adulto, aceito pelo sistema social. Hoje ser jovem é algo a ser preservado e até prolongado. A contraponto, vemos com cada vez maior freqüência adultos resistentes em deixar a casa dos pais, pessoas já maduras com um comportamento imaturo, quase adolescente, por não aceitarem objetivamente as responsabilidades que o meio social impõe, vivenciam suas vidas com vistas, quase que exclusivamente na busca pelos prazeres pessoais. A falta de perspectiva de um futuro melhor, e quando não a insegurança em conseguir, no mínimo, manter as condições materiais que sempre tiveram em sua vida familiar sugere a negação à realidade, imposta pelo meio. Portanto, vemos um comportamento egocêntrico e até agressivo ao impor suas vontades no meio em que vivem, principalmente o familiar, a total falta de respeito aos objetos de autoridade, que com certeza, irão levá-los a uma inadaptabilidade social por não aceitarem e obedecerem às leis de conduta, neste mesmo convívio social, vivendo de maneira a gratificar suas paixões, não se importando com a coletividade.

A relação entre razão e moral na Modernidade
Na visão Kantiana.
Para Immanuel Kant, filósofo alemão (1.724 a 1.804), o ser humano deve ser estimulado no que denomina moral como construção do caráter com base unicamente na razão que é o bem supremo do ser humano e como tal deve ser utilizada, neste contexto, diz Kant que o ser humano seve abster-se de suas paixões, que seriam as suas inclinações emocionais humanas, pois, estas o desviariam da conduta moral correta para si e para a sociedade.
Kant defende como moral os preceitos da razão, sendo sua manifestação mais exponencial a prática da moral como conduta do indivíduo, estabelecida como lei para esta mesma conduta “A metafísica dos Costumes, ou metaphysica pura, é apenas a primeira parte da moralidade; a segunda parte é a philosophia moralis appliccata, antropologia moral, à qual os princípios empíricos pertencem”. (apud OLIVEIRA; Mário Nogueira de, 2006, p. 71).
De acordo com Oliveira (...) “A filosofia prática geral é propedêutica. A antropologia moral é a moralidade aplicada ao homem. Moralia pura é baseada em leis necessárias, e assim ela não pode ser fundamentada na constituição particular do homem, e as leis baseadas nisso ficaram conhecidas na antropologia moral sob o nome de ética. Na filosofia prática geral, a metafísica dos costumes, ou metaphysica pura, é também apresentada em um modo mesclado.” (Ibiden).
Nesse contexto Kant via como estância última para a moralização do homem a construção do caráter, que seria segundo ele o hábito do indivíduo em seguir certas máximas no convívio social norteado pela razão, abstraindo-se de suas inclinações puramente emocionais.
Percebemos a grande depauperação de princípios basais em detrimento da perda de valores morais fundamentais e essenciais à sociedade, que vem se desgastando gradualmente já há algum tempo, a começar de alguns de nossos políticos que primam pela lei do oportunismo e vantagens econômicas, como vemos com tanta freqüência na mídia aberta. E aos adultos cabe uma reflexão: Será de que de alguma forma não estamos contribuindo para este comportamento de nossos jovens? Mais ainda, será que este modelo sócio-cultural que hoje em dia percebemos com tanta energia, no que tange aos benefícios adquiridos pelo vil metal no sistema capitalista, o qual seguimos alienadamente como se fosse à condição única para sermos felizes, realmente é uma realidade ou trata-se de uma ilusão? Será que ao abrirmos mão de nossa sensibilidade e calor humano principalmente para com nossos afetos, não estamos colaborando de alguma forma para a degradação das relações interpessoais e tornando-nos com isso autômatos da vida contemporânea?
Dr. Marco Aurélio Barbosa.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O que são e como se formam as neuroses?

Ao nascermos somos regidos fundamental e essencialmente pelos instintos animais primitivos (ID), os quais visam prioritariamente à preservação da vida e gratificação do prazer e bem estar. Durante nosso desenvolvimento em direção à construção de nossa personalidade individual, somos confrontados com as imposições sócio-culturais apresentados por nossas referências afetivas primárias (pai, mãe, avós, padrastos e repressões do meio sócio-econômico etc.), entre o que se gostaria de fazer e o que se deve fazer (SUPER EGO), criando frustrações dos instintos basais e gerando o recalcamento de determinada gratificação do prazer obrigando nosso psiquismo a elaborar (compensar), mecanismos inconscientes de defesa de forma a tornar aceitável a gratificação não recebida (EGO). A neurose propriamente dita é quando o indivíduo, sem perceber, adota posturas defensivas que vão se tornando cada vez mais severas, tentando inconscientemente transformar o meio e resgatar o prazer reprimido e recalcado, projetando o conflito de sua memória inconsciente no meio objetivo (regressão ao ponto de fixação), tentando nos dias atuais resolver problemas que na verdade estão em outro lugar e em outra época, porém esta adaptação do psiquismo não é suficiente para resolver o problema de maneira definitiva, pois, não há elaboração real do inconsciente e o indivíduo continua no ciclo repetitivo do comportamento neurótico e cada vez mais, intensificando o comportamento defensivo emocional, lutando cada vez com maior energia contra o verdadeiro "inimigo oculto" que o aflige. O comportamento neurótico cíclico na tentativa infrutífera de compensar definitivamente, as repressões do meio ao qual está inserido a contraponto de uma viagem constante atemporal e interespacial, torna-se cada vez mais crescente e o psiquismo fica cada vez mais incompetente em satisfazer e adequar o ego a realidade contemporânea do indivíduo e em decorrência deste fenômeno emocional, percebemos a diminuição paulatina, porém, gradual e constante da saúde psíquica, (Homeostase Psiconeuroimunológica), levando ao aparecimento dos mais variados quadros sintomáticos clínicos como: depressão, ansiedade, processos fóbicos, paranóias, conflitos afetivos, homossexualismo, insegurança, sentimento de inferioridade, anorexia, insônia, terror noturno, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), desvios de caráter, desvios de comportamento, alcoolismo, toxicomania, obsessividade afetiva (ciúmes), dificuldade de concentração, falta de memória, exclusão social, timidez excessiva, etc. E as chamadas doenças psicossomáticas ou histeriformes como: gastrites, cefaléias, fibromialgia, dores durante o contato sexual, dores nas costas (tensional), tremores, alguns casos de vertigens, bruxismo, algias na articulação temporo-mandibular, trigeminalgia, dores nos músculos (mialgias), alguns casos de hipertensão arterial, disfunção erétil, ejaculação precoce, alguns quadros de bronquites, taquicardia, opressão toráxica (sensação de aperto no peito), etc. É importante que se tenha em mente, que o fenômeno neurótico consiste em um mecanismo de defesa de nossas cargas emocionais naturais frustradas, enquanto seres humanos e que são reprimidas por concorrência de nosso intelecto na forma de razão, que tem por força do meio sócio-cultural em que estamos inseridos, de adequar-se as convenções do meio e que nos são impostas como regras e ditames para a boa convivência social.
Dr. Marco Aurélio Barbosa