Ao nascermos somos regidos fundamental e essencialmente pelos instintos animais primitivos (ID), os quais visam prioritariamente à preservação da vida e gratificação do prazer e bem estar. Durante nosso desenvolvimento em direção à construção de nossa personalidade individual, somos confrontados com as imposições sócio-culturais apresentados por nossas referências afetivas primárias (pai, mãe, avós, padrastos e repressões do meio sócio-econômico etc.), entre o que se gostaria de fazer e o que se deve fazer (SUPER EGO), criando frustrações dos instintos basais e gerando o recalcamento de determinada gratificação do prazer obrigando nosso psiquismo a elaborar (compensar), mecanismos inconscientes de defesa de forma a tornar aceitável a gratificação não recebida (EGO). A neurose propriamente dita é quando o indivíduo, sem perceber, adota posturas defensivas que vão se tornando cada vez mais severas, tentando inconscientemente transformar o meio e resgatar o prazer reprimido e recalcado, projetando o conflito de sua memória inconsciente no meio objetivo (regressão ao ponto de fixação), tentando nos dias atuais resolver problemas que na verdade estão em outro lugar e em outra época, porém esta adaptação do psiquismo não é suficiente para resolver o problema de maneira definitiva, pois, não há elaboração real do inconsciente e o indivíduo continua no ciclo repetitivo do comportamento neurótico e cada vez mais, intensificando o comportamento defensivo emocional, lutando cada vez com maior energia contra o verdadeiro "inimigo oculto" que o aflige. O comportamento neurótico cíclico na tentativa infrutífera de compensar definitivamente, as repressões do meio ao qual está inserido a contraponto de uma viagem constante atemporal e interespacial, torna-se cada vez mais crescente e o psiquismo fica cada vez mais incompetente em satisfazer e adequar o ego a realidade contemporânea do indivíduo e em decorrência deste fenômeno emocional, percebemos a diminuição paulatina, porém, gradual e constante da saúde psíquica, (Homeostase Psiconeuroimunológica), levando ao aparecimento dos mais variados quadros sintomáticos clínicos como: depressão, ansiedade, processos fóbicos, paranóias, conflitos afetivos, homossexualismo, insegurança, sentimento de inferioridade, anorexia, insônia, terror noturno, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), desvios de caráter, desvios de comportamento, alcoolismo, toxicomania, obsessividade afetiva (ciúmes), dificuldade de concentração, falta de memória, exclusão social, timidez excessiva, etc. E as chamadas doenças psicossomáticas ou histeriformes como: gastrites, cefaléias, fibromialgia, dores durante o contato sexual, dores nas costas (tensional), tremores, alguns casos de vertigens, bruxismo, algias na articulação temporo-mandibular, trigeminalgia, dores nos músculos (mialgias), alguns casos de hipertensão arterial, disfunção erétil, ejaculação precoce, alguns quadros de bronquites, taquicardia, opressão toráxica (sensação de aperto no peito), etc. É importante que se tenha em mente, que o fenômeno neurótico consiste em um mecanismo de defesa de nossas cargas emocionais naturais frustradas, enquanto seres humanos e que são reprimidas por concorrência de nosso intelecto na forma de razão, que tem por força do meio sócio-cultural em que estamos inseridos, de adequar-se as convenções do meio e que nos são impostas como regras e ditames para a boa convivência social.
Dr. Marco Aurélio Barbosa
6 comentários:
Muito interessante o texto, contribuí para que entendamos os motivos pelos quais muitas vezes somos levados a criarmos sentimentos que não são caracterísitcos de nossa personalidade, como por exempo a ira.
Tenho o sentimento de que o mundo em que vivemos atualmente, tem contribuído diretamente para o crescimento do número de pessoas neuróticas. Competitividade, inversão de valores, materialismo, no meu ponto de vista, são alguns dos motivos que levam as pessoas a desenvolverem as neuroses.
Fica a questão em aberto.
Um abraço e parabéns !!!
Realmente José a nossa mente inconsciênte manifesta por nossas emoções tem um poder muito maior do que se imagina, tanto que hoje em dia a NEUROCIÊNCIA respauda muitos dos postulados de Freud, no que tange à nossa mente inconsciênte. Obrigado pela visita.
Dr. Marco Aurélio.
Olá Dr. Marco, tudo bem? Gostaria de fazer um apontamento quanto ao seu texto e outro a respeito da sua resposta ao leitor José de Alencar.
Em primeiro lugar, penso ser importante observar que a psicanálise, seja esta a de Freud, Lacan, Klein, Bion, Racker ou qualquer outra escola, é apenas uma das muitas visões existentes na ciência psicologia acerca do comportamento humano. Neste sentido, é uma falácia defender a teorização de Freud acerca das neuroses como verdade absoluta (um sinal disso é o total abandono do termo neurose pela psiquiatria e pelas outras correntes em psicologia).
Em segundo lugar, gostaria de comentar a sua afirmação de que "hoje em dia a NEUROCIÊNCIA respauda muitos dos postulados de Freud, no que tange à nossa mente inconsciênte". Isso não é verdade. O conceito de mente, etimologicamente, refere-se àquilo que é proveniente da alma ou do espírito, sendo ela compreendida como uma substância imaterial onde se situam os processos psíquicos. A neurociência moderna vai na exatamente na direção oposta, pois rejeita o dualismo mente e corpo e assevera que os chamados fenômenos mentais são de natureza física, sendo, portanto, monista materialista. O neurocientista Michael Gazzaniga, um dos mais respeitados do mundo, explica que a atividade mental resulta de processos biológicos dentro do cérebro, tal como a ação de células nervosas e reações químicas associadas, ou seja, a mente é o que o cérebro faz. Além disso, as inúmeras descobertas da neurociência demonstram a existência de um funcionamento não consciente, que é muito diferente da noção de incosciente postulada por Freud. Embora os termos "não consciente" e "inconsciente" pareçam idênticos em terminologia, eles são completamente distintos no âmbito ontológico.
Parabéns pelo blog!
Um abraço,
Jan Luiz Leonardi
Prezado Jean, bom dia!
Gostaria de agradecer sua visita e importante participação neste blog, que na verdade não é meu, mas sim, de todos os que o visitam. Ao ler o seu o comentário percebi que você tem um considerável conhecimento sobre o assunto, o que acho muito importante para que possamos elevar o nível do conteúdo do blog, de forma que todas as pessoas que o visitem, possam ter uma visão distinta à minha quanto aos temas abordados. Quanto à escola Freudiana (e outras que você citou), e suas bases teóricas estrutural e topográfica, visando a explicar as genealogia do comportamento humano quanto aos mecanismos de elaboração de nosso psique, você afirma ser uma falácia, uma mera apresentação sofística que não corresponde à realidade, ora, como você mesmo colocou em suas observações, a visão Freudiana é uma das muitas visões existentes na ciência psicológica, tanto isso é verdade, que em qualquer bom curso de psicologia se estuda as teorias de Freud na sua grade curricular, e não só na psicologia, mas em várias outras disciplinas em cursos de formação acadêmica. Na verdade, não apresentei as teorias Freudianas como sendo absolutas, porém, como observamos no título do texto (O QUE SÃO E COMO SE FORMAM AS NEUROSES), vemos que o enfoque é intrinsecamente psicanalítico com base nas teorias Freudianas, nas quais fundamento todo o meu trabalho e com os quais, casuisticamente, confirmo em minha experiência clínica, validando, para mim e meus pacientes, as teorias de Freud, devido ao muito bom resultado terapêutico obtido até aqui. Não obstante, tenho pleno conhecimento da multiplicidade de teorias existentes, as quais se propõem a entender o psiquismo humano, sendo, a meu ver, a mais tradicional e notada a de Freud.
Quanto à etimologia da palavra inconsciente como você muito bem descreveu, realmente deriva desde a Grécia antiga em seu contexto filosófico, que era nominado como “alma ou ânima”, ou seja, aquilo que anima e dá vida, não em seu sentido espiritual, pois naquela época o cristianismo ainda não existia, mas sim, era visto como o apeíron ou éter da essência humana, nas questões ontológicas do “ser e do não ser” (Parmênides de Eléia), e que mais tarde seria reformulado por Platão dentro dos princípios dialéticos de Sócrates, quanto à verdadeira essência de todas as coisas, portanto filosoficamente, poderíamos dizer que o estado de consciência está para Heráclito de Éfeso (o contínuo devir do mundo material, que está em constante mutação) dado a nossa capacidade cognoscível de interpretação do meio com base no intelecto, que sustenta a razão elaborada objetivamente do mundo sensível por conta da realidade material à qual estamos inseridos, e o inconsciente para Parmênides (a imutabilidade da essência das coisas) estaria relacionado com a mente sensível que nos dá a capacidade de sentir, ou diria até intuir sobre a multiplicidade fenomenológica da realidade única de cada indivíduo, que seriam os seus pensamentos e sentimentos interpretados por nossa capacidade lógica intelectual, neste contexto, vendo-se pelo aspecto ontológico, evidentemente.
Gostaria de abordar o seu comentário sobre minha afirmação inverossímil quanto a idéias de Freud validadas pela neurociência: Amit Ektin, Eric Kandel e Joy Hirsch três neurocientistas da Universidade de Columbia, em Nova Iorque conduziram experimentos de imagem obtidas por meio de ressonância magnética funcional, sobre as diferenças de como o cérebro processa informações emocionais no nível do consciente e do inconsciente. Neste experimento científico, foram mostrados aos participantes imagens de pessoas com expressão de medo, de maneira que o processo cerebral de percepção ocorresse consciente e inconscientemente. Como era de se esperar a amígdala (área cerebral associada ao processo emocional) foi ativada. Entretanto o achado curioso, uma sub-região chamada (amígdala basolateral) que é ativada no processo inconsciente e que se relaciona com o nível basal de ansiedade das pessoas, quanto mais ansiosa a pessoa, maior a ativação inconsciente da amígdala basolateral. E a conclusão destes cientistas, segue textualmente: “Essas experiências de imagens validam algumas das teorias de Freud: os efeitos da ansiedade moram muito mais no universo da imaginação, do inconsciente, do que no consciente propriamente dito” (PEREIRA, Ana Carolina Guedes. Artigo O palco da mente. Revista Psique Ciência &Vida. São Paulo, n° 23, p. 30 – 35. Ed. Escala. 2008). Essa é só uma das várias experiências que tem sido feitas no sentido de se entender o funcionamento da mente humana em nível cerebral, pois a ciência, ainda não descobriu como a atividade elétrica dos neurônios se transforma na experiência subjetiva de cada indivíduo (acredito que foi isso que você tentou expor com sua afirmação).
Espero tê-lo satisfeito com meus esclarecimentos, mesmo sabendo que epistemologicamente a humanidade tem ainda, um longo caminho a percorrer até que se tenha um conhecimento razoável sobre como se processam os pensamentos e sentimentos humanos na esfera neurológica. Mais uma vez, agradeço por sua importante participação neste blog.
Dr. Marco Aurélio Barbosa.
Parabéns pelo site.
Danilo, muito obrigado por suas palavras de apoio e incentivo e espero poder contar com suas sugestões para novos temas a serem abordados no futuro.
Mais uma vez o meu muito obrigado!
Dr. Marco Aurélio Barbosa.
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