domingo, 29 de junho de 2008

Uma visão filosófica, da abordagem ontológica no contexto social, desde os filósofos pré-socráticos a uma abordagem filosófica contemporânea

Desde a Grécia antiga e mais precisamente nos primórdios da filosofia, existe a pergunta sobre “o ser e o não ser”, que foi formulada por Parmênides de Eléia que buscava a verdadeira essência da realidade de todas as coisas, dentre esta multiplicidade, também o homem no seu contexto natural por essência. Com Sócrates passou-se a estudar a essência de justiça e o grande bem de, e para o ser humano, no qual Aristóteles fundamentou sua teoria sobre a Pólis com base na Paidéia pedagógica, para formação de governantes realmente dotados dos predicativos necessários e fundamentais para o bem geral da sociedade, de forma com que todos os membros desta sociedade pudessem viver de maneira plena e fortalecidos contra as vicissitudes humanas, fundamentados na lógica e na razão. Portanto na psicologia da época, buscava-se o bem estar geral nas virtudes humanas.
Na vida contemporânea percebemos que as virtudes cardeais que norteavam o homem em comparação à Grécia antiga, foram abandonadas, porém, quais seriam os fatores determinantes para esta mudança do perfil psicológico na atualidade de nossa sociedade, onde percebemos a derrocada de valores basais do ser humano? Quais seriam as causas desta fenomenologia que impõe à sociedade de forma geral tantas preocupações, o que essencialmente mudou no ser humano contemporâneo, e por que o conceito prático de bem, está tão desgastado na atualidade, manifestando sintomas sociais como: violência, corrupção, falta de ética no convívio social, etc.?
Recentemente vimos apresentados na mídia, casos de filhos abandonando seus lares em busca de aventuras e liberdade, nos depoimentos que vimos, dados por eles, havia a manifestação de queixas feitas às suas famílias, de que não eram compreendidos, sentiam-se reprimidos e não se sentiam afetivamente valorizados. É notório ao observarmos estes comentários, que estes jovens vivenciam um paradigma sócio-cultural, que buscam a gratificação de seus conteúdos emocionais e fortalecimento de seu EGO, em contraposição aos valores morais e culturais apresentados por seus pais, que no afã de instruir seus filhos no caminho moralmente correto, impõe a castração destes mesmos conteúdos de gratificação do puro prazer, para que se tornem cidadãos aptos a participarem de forma construtiva e integrada na sociedade. Vemos, também a luta que os pais se vêem obrigados a enfrentar diariamente na busca pela manutenção econômico-material de seus lares, para que possam dar todo o conforto possível aos que amam, e impondo com isso, involuntariamente por força do meio, o distanciamento aos seus objetos de afeto fazendo-os sentirem-se afetivamente abandonados, sozinhos e inseguros. Percebemos também, a grande quantidade de famílias desagregadas por separações, isso com certeza em muito influencia neste comportamento rebelde, nessa busca por espaço e construção de sua individualidade, tentando fazer com que suas idéias e opiniões sejam respeitadas. Hoje, a juventude “transformou-se num excelente e gigantesco mercado de consumo para inúmeros produtos, alguns dos quais criados especialmente ou com a sua publicidade voltada exclusivamente para o adolescente” (BECKER, 1985, p. 59). Até bem pouco tempo, ser jovem era somente uma fase de transição vivida apressadamente em direção do ser maduro, adulto, aceito pelo sistema social. Hoje ser jovem é algo a ser preservado e até prolongado. A contraponto, vemos com cada vez maior freqüência adultos resistentes em deixar a casa dos pais, pessoas já maduras com um comportamento imaturo, quase adolescente, por não aceitarem objetivamente as responsabilidades que o meio social impõe, vivenciam suas vidas com vistas, quase que exclusivamente na busca pelos prazeres pessoais. A falta de perspectiva de um futuro melhor, e quando não a insegurança em conseguir, no mínimo, manter as condições materiais que sempre tiveram em sua vida familiar sugere a negação à realidade, imposta pelo meio. Portanto, vemos um comportamento egocêntrico e até agressivo ao impor suas vontades no meio em que vivem, principalmente o familiar, a total falta de respeito aos objetos de autoridade, que com certeza, irão levá-los a uma inadaptabilidade social por não aceitarem e obedecerem às leis de conduta, neste mesmo convívio social, vivendo de maneira a gratificar suas paixões, não se importando com a coletividade.

A relação entre razão e moral na Modernidade
Na visão Kantiana.
Para Immanuel Kant, filósofo alemão (1.724 a 1.804), o ser humano deve ser estimulado no que denomina moral como construção do caráter com base unicamente na razão que é o bem supremo do ser humano e como tal deve ser utilizada, neste contexto, diz Kant que o ser humano seve abster-se de suas paixões, que seriam as suas inclinações emocionais humanas, pois, estas o desviariam da conduta moral correta para si e para a sociedade.
Kant defende como moral os preceitos da razão, sendo sua manifestação mais exponencial a prática da moral como conduta do indivíduo, estabelecida como lei para esta mesma conduta “A metafísica dos Costumes, ou metaphysica pura, é apenas a primeira parte da moralidade; a segunda parte é a philosophia moralis appliccata, antropologia moral, à qual os princípios empíricos pertencem”. (apud OLIVEIRA; Mário Nogueira de, 2006, p. 71).
De acordo com Oliveira (...) “A filosofia prática geral é propedêutica. A antropologia moral é a moralidade aplicada ao homem. Moralia pura é baseada em leis necessárias, e assim ela não pode ser fundamentada na constituição particular do homem, e as leis baseadas nisso ficaram conhecidas na antropologia moral sob o nome de ética. Na filosofia prática geral, a metafísica dos costumes, ou metaphysica pura, é também apresentada em um modo mesclado.” (Ibiden).
Nesse contexto Kant via como estância última para a moralização do homem a construção do caráter, que seria segundo ele o hábito do indivíduo em seguir certas máximas no convívio social norteado pela razão, abstraindo-se de suas inclinações puramente emocionais.
Percebemos a grande depauperação de princípios basais em detrimento da perda de valores morais fundamentais e essenciais à sociedade, que vem se desgastando gradualmente já há algum tempo, a começar de alguns de nossos políticos que primam pela lei do oportunismo e vantagens econômicas, como vemos com tanta freqüência na mídia aberta. E aos adultos cabe uma reflexão: Será de que de alguma forma não estamos contribuindo para este comportamento de nossos jovens? Mais ainda, será que este modelo sócio-cultural que hoje em dia percebemos com tanta energia, no que tange aos benefícios adquiridos pelo vil metal no sistema capitalista, o qual seguimos alienadamente como se fosse à condição única para sermos felizes, realmente é uma realidade ou trata-se de uma ilusão? Será que ao abrirmos mão de nossa sensibilidade e calor humano principalmente para com nossos afetos, não estamos colaborando de alguma forma para a degradação das relações interpessoais e tornando-nos com isso autômatos da vida contemporânea?
Dr. Marco Aurélio Barbosa.

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