Estresse, o que é isso?
Posted in Transtornos by: maria.silviaEstresse é uma dessas palavras que se usa muito, sabe-se o que é, mas não é fácil definir. No dicionário, essa palavra derivada do inglês é definida como :”Conjunto de reações do organismo a agressões de origens diversas, capazes de perturbar-lhe o equilíbrio interno.” É o que você pensava?
Esse termo é originário da Física, onde designa “tensão ou força sobre um objeto com tendência a provocar alteração em sua forma, abrangendo também medidas e intensidade dessa força, bem como a resistência do objeto”. Foi usado em Medicina pela primeira vez na década de 1930, pelo endocrinologista canadense Hans Selye para descrever as reações do organismo tentando se adaptar e voltar ao seu equilíbrio, quando alterado por diferentes patologias. Ou seja, quando o organismo é exposto a diferentes agressores, ameaças ao seu equilíbrio, apresenta uma mesma forma de reagir a elas, a Síndrome Geral de Adaptação ou Estresse.
Essa reação pode ser dividida em 3 estágios:
- ALARME - O corpo reconhece o estressor e ativa o sistema neuroendócrino para a ação. Num modelo animal, ela seria de luta ou fuga. Ao reconhecer a ameaça, seja ela qual for, o hipotálamo, que fica no Sistema Nervoso Central, produz neurotransmissores ( dopamina, noradrenalina) e estimula a hipófise a produzir hormônios. Esses hormônios, por sua vez, estimulam outras glândulas, como a tireóide e as suprarrenais a produzirem seus homônios também. O resultado é que o corpo fica todo ativado: as pupilas se dilatam, aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial, aumenta o número de hemáceas e o açúcar no sangue, diminuem as defesas imunológicas, a digestão e o desejo sexual.
- ADAPTAÇÃO - o organismo repara os danos causados pela reação de ALARME, reduzindo os níveis hormonais, conforme a ameaça é superada. No entanto, se o estímulo estressor persiste, o organismo entra na fase de
- EXAUSTÃO - começam a falhar os mecanismos de adaptação e ocorre déficits das reservas de energia. As modificações biológicas que aparecem nessa fase assemelham-se àquelas da reação de alarme, mas o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só. Torna-se, então, mais vulnerável à instalação de doenças.
A partir desta primeira definição, especialistas estudam as consequências do estresse sobre o organismo humano em várias dimensões, classificando-o, por exemplo, em três grandes grupos : estresse fisiológico, estresse psicológico e o estresse social. Alguns estudam as patologias causadas por eles, como hipertensão arterial, úlcera, câncer, dores crônicas; outros abordam a capacidade de exercer o autocontrole, que permite lidar adequadamente com os estressores.
Quando se fala da esfera psíquica, os estímulos desagradáveis como dor, tristeza, frustração, abuso da atividade física e/ou mental, medo, incertezas , entre outros, levam à reação de ansiedade. Como já vimos em um dos primeiros textos deste Blog (ANSIEDADE E TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, de novembro de 2007), a Ansiedade é uma resposta fisiológica normal, responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. Graças a essa ativação as pessoas são capazes de realizar coisas extraordinárias quando necessário, que não dariam conta de fazer em situações mais calmas. A ansiedade pode levar a melhora de desempenho até um certo ponto. A partir daí, se a ansiedade aumenta a qualidade do desempenho via caindo, pois o indicíduo já não consegue utilizar seus recursos, que se encontram esgotados.
As diferentes pressões a que as pessoas se encontram submetidas no dia-a-dia acabam levando a uma situação de estresse crônico, com predomínio da fase de exaustão. A Organização Mundial da Saúde considera o estresse a maior epidemia do século 20 e que se estende aos dias atuais. Segundo a organização, a variedade de sintomas e doenças desencadeadas pelo estresse é responsável por 50% das mortes no mundo.
Não existe uma resposta pronta para se proteger desse mal. Hábitos de vida saudáveis, como alimentação balanceada, trabalho e repouso adequados, atividade física e de lazer, além da convivência com pessoas queridas ajudam a fortalecer o organismo e a mente. Trabalhos científicos em psiconeuroimunologia demonstram a inter-relação entre afetos positivos e a função imunológica , por exemplo. Mas é tarefa individual identificar os fatores que causam desgaste, frustração e mobilizar seus recursos para modificá-los. O que não der prá resolver sozinho, o negócio é trabalhar junto.
Mãos à obra.
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