segunda-feira, 15 de novembro de 2010

FILOSOFIA DA MENTE

Entende-se por Filosofia da Mente o ramo da filosofia analítica que se preocupa com os fenômenos da mente, no universo de pesquisas que buscam o entendimento sobre a essência da psique, bem como das manifestações e condições mentais gerais. Debruça-se, também, sobre pesquisas que visam estudar os eventos da consciência, uma das esferas mais controvertidas do âmbito filosófico e da neurociência.

Neste sentido, aborda a percepção do entendimento humano quanto às questões do psiquismo com enfoque filosófico.

Abordando vários tópicos do psiquismo humano como o mecanismo da memória, atos intencionais, as ações humanas, cibernética epistemológica do conhecimento, e a dinâmica consonante entre a mente e o corpo, a filosofia da mente busca entender os conteúdos que abrangem o psiquismo, dando ênfase na ciência do conhecimento e a maneira como a estruturação mental desenvolve o seu autoconhecimento e a interação entre os fatores condicionantes mentais e os projetos que eles representam.

A Filosofia da Mente pesquisa da mesma forma tudo que concerne à ação de reconhecimento e modulação de coletas de informações, como os referenciais fundamentais para a assimilação, aprendizado da linguagem e a avaliação subjetiva da consciência. O conjunto de conhecimentos que representa esta disciplina igualmente aborda os hiperativos categoriais elementares éticos, como o fenômeno da liberdade, quase impossível de ser conquistada se a psique se adequar às leis da Natureza.

Neste sentido, os filósofos sempre se debruçaram quanto ao conhecimento da origem do pensamento e sua sede essencial e dinâmica funcional.

O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado. ...O dinheiro que temos é o instrumento da liberdade; aquele de que andamos... A natureza nunca nos engana; somos sempre nós que nos enganamos. ... Realmente não sabemos o que é boa ou sorte. (Jean-Jacques Rousseau, s/d)

Kierkegaard contribuiu com a ideia original do existencialismo de que não existe qualquer predeterminação com respeito ao homem, e que esta indeterminação e liberdade levam o homem a uma permanente angústia. Segundo Kierkegaard, o homem tem diante de si várias opções possíveis, é inteiramente livre, não se conforma a um predeterminismo lógico, ao qual, segundo Hegel, estão submetidos todos os fatos e também as ações humanas. A verdade não é encontrada através do raciocínio lógico, mas segundo a paixão que é colocada na afirmação e sustentação dos fatos: a verdade é subjetividade. A consequência de ser a verdade subjetiva é que a liberdade torna-se ilimitada. Consequentemente não se pode, também, fazer qualquer afirmativa sobre o homem. O pensamento fundamental de Kierkegaard, e que veio a se constituir em linha mestra do Existencialismo, é este: inexiste um projeto básico, para o homem verdadeiro, uma essência definidora do homem porque cada um se define a si mesmo e assim é uma verdade para si. Daí o moto conhecido que sintetiza o pensamento existencialista: “... no homem, a existência precede a essência" (KIERKEGAARD, s/d).

Kierkegaard. O dinamarquês Soren Aabye Kierkegaard (1813-1855), encontra sua posição filosófica ao insurgir-se contra posições aristotélicas remanescentes na filosofia, o que faz opondo-se à filosofia de Hegel (1770 - 1831). Kierkegaard não só rejeitou o determinismo lógico de Hegel (tudo está logicamente predeterminado para acontecer) como sustentou a importância suprema do indivíduo e das suas escolhas lógicas ou ilógicas. (KIERKEGAARD, s/d).

A Filosofia da Mente surge no cenário científico do conhecimento oficialmente em 1949, quando o filósofo britânico Gilbert Ryle lança sua obra The Concept of Mind. A partir de então, esta esfera se desenvolve por meio de uma relação interdisciplinar com outras áreas científicas, como a filosofia da ciência, a filosofia da linguagem e a filosofia da psicologia.

The Concept of Mind é um livro pelo filósofo Gilbert Ryle. No livro, ele descreve o que viu como um "erro fundamental" feita por Descartes' dualismo, que sustenta grande parte da filosofia ocidental. No trabalho, Ryle cunhou a frase, "o dogma do fantasma na máquina, para se referir ao" modelo de Descartes. (RYLE, 1949)

Na Introdução de seu livro, Ryle afirma que seu objetivo é corrigir a geografia lógica do conhecimento que já possuímos sobre os poderes mentais e operações mentais. Além disso, ele declara que ele está determinando a lógica transversal dos rolamentos de conceitos. Ao fazer isso, ele compara metaforicamente esses conhecimentos para a leitura de um mapa. Esta atividade mostra a lógica das proposições que são utilizados para comunicar os conceitos. Tal lógica é, para ele, uma metáfora espacial que revela como as proposições de forma consistente precedem e seguem conceitos.

A ideia de Descartes, por exemplo, da separação entre mente e corpo apresenta os fatos que pertencem a uma categoria na linguagem peculiar que é apropriado para outra categoria. (ibidem)

Ryle quer reposicionar os fatos, e não negá-los. Para ele, todo conceito legitimamente pertence a uma determinada categoria (caráter, espécie, natureza). Ele define como tipos de categorias lógicos. A forma que um conceito pertence a uma categoria (tipo lógico), é o mesmo que um conjunto de formas legítimas logicamente de operar mentalmente. Ryle tenta mostrar como ocorrem as operações mentais que violem as regras lógicas. Assim, Ryle pensa da filosofia como a substituição de hábitos ruins como categoria com uma disciplina legal.

Duas importantes correntes recentes da Ciência contribuem com o campo da Filosofia da Mente, a neurociência e a inteligência artificial, a primeira por tentar situar a região do cérebro na qual repousa a consciência, e a outra por tentar produzir máquinas que pensam. Embora estes planos não tenham seguido adiante, foram fundamentais para os avanços da filosofia da mente.

Mas as pesquisas destes filósofos não partem do ponto de vista de que há um espírito, à parte da estrutura orgânica e, particularmente, da cerebral; elas giram sempre em torno de questões vinculadas à ciência do conhecimento, à neurociência, à linguística e à inteligência artificial.

Estas investigações filosóficas procuram desvendar, por exemplo, se a psique é o conjunto dos pensamentos e emoções pessoais, ou uma organização que transcende estes elementos; se a mente é um ser de natureza física; se a estrutura mental e a orgânica interagem entre si, entre outras tantas dúvidas que ainda pairam sobre a Ciência e a Filosofia.

Hoje a filosofia da mente disponibiliza uma vasta bibliografia, que procura dar conta de inúmeras questões e enigmas, sobre os quais discorrem cientistas e filósofos em incontáveis livros e artigos, que esmiúçam o conteúdo da psique, as características da mente, suas condições intrínsecas.

Nota: Para um maior entendimento do que é a filosofia da mente, sugiro a leitura da obra:

O QUE É FILOSOFIA DA MENTE

De João de Fernandes Teixeira

Obra que foi originalmente publicada em 1994 pela Editora Brasiliense na Coleção Primeiros Passos, sob número 294. Acessível em: http://www.filosofiadamente.org/images/stories/pdf/o_que_e_filosofia_da_mente.pdf


Por: Dr. Marco Aurélio Barbosa

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_da_mente
http://www.filosofiadamente.org/
Vladimir Safatle. O Filósofo e suas lágrimas, in Discutindo Filosofia. Escala Educacional. Ano 2, Número 8, pp. 16-21.

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Concept_of_Mind acessado em 15/11/2010.

http://www.cobra.pages.nom.br/ftm-existencial.html acessado em 15/11/2010

http://www.netmarkt.com.br/frases/jeanjacquesrousseau.html acessado em 15/11/2010


Nenhum comentário: